Anúncio com Código

Uma Breve História do Videoclipe

Artigos | 09 out 14 - por João Paulo Porto

O dia 1 ? de agosto de 1981 foi um divisor de águas para a indústria fonográfica mundial: entrava no ar o canal norte-americano , dedicado exclusivamente à exibição de videoclipes de artistas variados, apresentando uma nova forma de divulgação de música. O primeiro vídeo exibido foi Video Killed The Radio Star, do grupo The Buggles. Longe de exterminar outros meios de divulgação de música, como o rádio, por exemplo, o videoclipe emergiu como uma nova e revolucionária ferramenta de divulgação de um artista, tão importante quanto o rádio e os programas televisivos.

Bob Dylan
Bob Dylan em “Subterranean Homesick Blues”, clipe que abria o excelente documentário Don´t Look Back.

Nos anos 60, o diretor sueco Peter Goldman concebeu a primeira inovação audiovisual juntamente com os Beatles para as canções “Penny Lanny” e Strawberry Fields forever” e os Rolling Stones já experimentavam esse formato para divulgar suas músicas mundo afora. O trabalho audiovisual de Bob Dylan para “Subterranean Homesick Blues” poderia ser considerado o mais próximo de um videoclipe conceitual se não pertencesse 141 à abertura do documentário “Don’t Look Back” sobre a turnê do cantor pela Inglaterra, em 1965.

O Queen tornou-se o precursor – sem intenções – dos videoclipes ao produzir uma odisseia de imagens épicas para a sua melhor gravação, Bohemian Rhapsody, virando oficialmente o primeiro clipe da história, em 1975, apesar de controvérsias. Na década de 1970, o programa fantástico já exibia e produzia vídeos de artistas brasileiros como Raul Seixas e Ney Matogrosso, estabelecendo o padrão audiovisual da música nacional.

"Money for Nothing" era uma homenagem e uma piada ao medo tempo da futilidade da MTV.
“Money for Nothing” era uma homenagem e uma piada ao mesmo tempo à futilidade da MTV.

Com um videoclipe totalmente computadorizado para a canção Accidents Will Happen, um exemplo de inovação tecnológica e estética, Elvis Costello and the Attractions inovou o segmento em 1979 . Sete anos depois, o The Cars iniciava a combinação entre vídeo e tecnologia com o elaborado You Might Think, que logo se tornaria influência direta para o fantástico Money For Nothing, do Dire Straits, uma novidade para a época, com imagens em 3D que se converteram em referência pop.

Nos anos 80, o videoclipe estabeleceu- se como ferramenta importante na divulgação de uma banda, e as gravadoras viram nisso um nicho lucrativo. Aproveitando o pioneirismo de artistas como Michael Jackson e Peter Gabriel, investiram pesado em produções cada vez mais sofisticadas que resultaram em gigantescas vendas de discos.

O Duran Duran foi a banda que melhor aproveitou o potencial dos videoclipes
O Duran Duran foi a banda que melhor aproveitou o potencial dos videoclipes nos anos 80.

O , no início de sua carreira, foi o primeiro a aproveitar ao máximo o novo formato em produções luxuosas e caríssimas, com conteúdo regular e roteiro com história. Dessa fase saíram , o primeiro a mostrar nu frontal e sadomasoquismo; , que refletia todo o espírito e a atmosfera dos yuppies oitentistas; e “Save A Prazer” e , gravados em lugares exóticos como Sri Lanka, Singapura e Indonésia, com custo muito além do permitido para a época.

Em 1982, Michael Jackson lançou “Billy Jean, um marco para a indústria fonográfica. pouco tempo depois, veio a dança de 15 minutos que transformou a história da música pop para sempre. Thriller quebrou duas barreiras na MTV: pela primeira vez um artista negro se tornou o mais importante da história da cultura pop mundial e sua música, exclusivamente negra, acabou sendo referência de estilo.Thriller ainda se tornaria o videoclipe mais importante e influente de todos os tempos. O impacto causado reverberou mundo afora, e sua obra artística serviu de parâmetro para futuros videoclipes, nos quais altos investimentos e ideias inovadoras seriam essenciais. Stephen R. Johnson dirigiu, em 1986, o espetacular Sledgehammer, do inglês Peter Gabriel, considerado o videoclipe mais exibido na MTV nos anos 80 e o mais influente e inovador depois deThriller.

 Os videoclipes de Michel Gondry são um desfile de criatividade expressiva e evocativa.
Os videoclipes de Michel Gondry são um desfile de criatividade expressiva e evocativa.

Na década de 1990, meios tecnológicos mais sofisticados foram utilizados por nomes talentosos que quebraram barreiras na indústria audiovisual: , , Jonathan GlazerAnton Corbjin e Michel Gondry, que revolucionou o formato ao implementar truques de câmera e ideias visuais em vídeos para , Daft Punk,  e . destacam-se Around The World,Come Into My World, Let Forever Be, Everlong e Human Behaviour. Atualmente, esses diretores são grandes nomes do cinema.

Os anos 00 apresentaram outra revolução: o advento da internet e de meios de divulgação, como o canal YouTube e Vevo, tornaram-se os melhores e mais acessíveis veículos de exibição de videoclipes. A grande diferença entre esses meios e os canais de música MTV e VH1 estaria na possibilidade de escolher o que ver e quando ver. A internet mudou a forma como assistimos a vídeos e isso representa algo importante para as novas gerações. Mesmo com o passar dos tempos, o videoclipe ainda é parte integrante da cultura pop mundial.

Sua música pode nem ser tão boa assim, mas seus videoclipes são os mais criativos dos últimos anos.
Sua música pode nem ser tão boa assim, mas seus videoclipes são os mais criativos dos últimos anos.

Ainda nessa década, muitos artistas produziram seus próprios clipes, sem o apoio de grandes gravadoras. Com criatividade e boas ideias, conquistaram seu espaço no concorrido mercado fonográfico. O nome mais importante dessa leva é o , um grupo norte- americano que produziu, dirigiu e criou sua própria coreografia no divertido “”, o famoso videoclipe das esteiras que se tornou um verdadeiro fenômeno da internet, ultrapassando os 100 milhões de visualizações no YouTube. Atualmente, alguns dos vídeos musicais mais bacanas são interativos – os que te levam a um passeio agradável através de uma experiência audiovisual personalizada, como os clipes do Arcade Fire e o recente “Happy” do Pharrell Williams, o primeiro da história a durar 24 horas!. Para saber mais sobre videoclipes interativos clique  e .

O videoclipe, apesar de priorizar a imagem em detrimento da música de boa qualidade, tornou-se, com o passar dos anos, um prolongamento da música. A relação entre ela e a imagem está tão interligada que é quase impossível separar um do outro. um exemplo clássico é o videoclipe de , dos noruegueses do , que apresenta uma história em quadrinhos contada através de um videoclipe em preto e branco.

A verdade é que o videoclipe construiu em si mesmo uma relação tão intrínseca com a música ao ponto de extrapolar os limites dela própria, mudando a maneira de vender e até mesmo de gravá-la. Para o bem ou para o mal, essa mudança tornou o universo pop mais divertido.

Matéria originalmente publicada na revista .

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths