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Para Ver Antes de Morrer: #188. The Verve | Bittersweet Symphony

Para Ver Antes De Morrer | 10 maio 13 - por Thiago Murta Ferreira
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Em uma esquina de Londres, uma pessoa se encontra em uma situação peculiar, caminhando em um trajeto aleatório, recusando-se a mudar de direção ao longo do videoclipe. No momento, a pessoa está parada e começa a seguir um destino, a partir do canteiro de obra. O ritmo de uma sinfonia desenfreante se inicia, tornando para o nosso protagonista, Richard Ashcroft (vocalista) a válvula de escape para fugir dos seus problemas do cotidiano, buscando firmeza para enxergar alguma coisa no fim do horizonte.

4-1O videoclipe é localizado no sudeste do cruzamento das ruas Hoxton e Falkirk, no bairro de Hoxton, no norte da cidade de Londres. O rapaz caminha sem nenhuma preocupação na linha da calçada que se divide em dois acessos estreitos, trombando nas pessoas sem querer ao menos parar para um pedido de desculpas. A personagem não tem o menor carisma de respeitar. Os esbarrões vão desde com punks, senhoras e uma mulher com um carrinho de bebê, até os esbarrões duplos em homens e mulheres que estão caminhando distraídos, no sentido oposto do trajeto.

Então, Você me pergunta; – “Que desaforo!”. “Que falta de respeito!”.

2-1Antes de julgar este indivíduo – que prefere andar no meio da calçada pavimentada e agitada, criando euforia e raiva à população. Quando ele repetidamente se esbarra em transeuntes e também, sem a menor vergonha de pular no capô de um carro parado na faixa de pedestre. (Que por ventura, sai o condutor a obter esclarecimentos do fato) – Acredito que ele esteja em um momento difícil. O anti-herói tem os seus valores e nesse ponto de sua consciência, com certeza ele está desabafando. A questão aqui, não é sermos hipócritas, de que “nunca iremos passar pela mesma situação que o nosso personagem”. Todavia as cenas falam ao espectador sobre o compromisso de seguir um caminho e tentar permanecer nele. É claro que às vezes, em momentos de fúria, passamos por situações em que “Não terá obstáculos que não iremos atravessar”. Até mesmo a mulher compreendeu (se cansou e desistiu) de seguir e confrontar diante do que havia ocorrido com o seu carro. Contrariando o conceito inicial de uma vida muito solitária, o vídeo chega ao final com a companhia dos seus amigos (Dito os integrantes restantes da banda).

Uma filmagem simples e fotografia de tons frios. A eficiência das cenas, sem o compromisso  de muitos cortes, nem truque digital, e muito menos planos elaborados. Ainda sim, esse clássico do cenário audiovisual dos anos 90 conseguiu se tornar uma caminhada implacável e emocionante de Richard Ashcroft. As gravações foram feitas em dois dias. O diretor Walter A. Stern filmou em dois planos contínuos e a maioria das pessoas que levaram o “esbarrão” do cantor não eram figurantes.

Capturar verve2Infelizmente, os créditos desta canção pertencem a Mick Jagger e Keith Richards. A banda utilizou um sample de bateria da canção “The Last Time”, escrita pelos integrantes dos Rolling Stones, sem  autorização dos mesmos, resultando em um processo judicial onde os Stones sairiam ganhando.

Mesmo assim, esta trajetória demostrou uma linha de sucesso que a própria banda não acreditaria almejar com seu álbum “Urban Hymns”. O hit perfeito. “Bittersweet Symphony” consolidou o The Verve como uma das melhores bandas britânicas do século 20. O videoclipe foi nomeado em vários festivais, incluindo três prêmios do MTV Video Music Awards de 1998 e hoje é considerado um clássico absoluto.

Direção: Walter A. Stern | Ano: 1998

Thiago Murta Ferreira

Cursando em Turismo na (UNICID – SP), a sua disciplina que mais se dedica é área de Artes e Museologia. Na qual, pretende entrar na carreira de Design em breve. Desde criança assistia e anotava os seus videoclipes interessantes em um caderno. Um bom pretexto que se dedica no site é sobre videoclipes artísticos, do Rock ao Eletro underground dos anos 90 e até os dias de hoje. Sempre procurando as curiosidades relevantes das produções audiovisuais.