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Para Ver Antes de Morrer: #222. The Strokes | You Only Live Once

Para Ver Antes De Morrer | 14 dez 13 - por João Paulo Porto
The Strokes Poster

Tudo levava a crer que o hype dos The Strokes, do ótimo Julian Casablancas, seria a salvação do rock pós – Radiohead. O ano era 2001 e não foi bem assim. Mesmo com um visual bacana, e atitude Rock N’ Roll, o grupo não conseguiu manter a qualidade e criatividade de sua estreia, o impactante Is This It?.

strokes 15Mas é inevitável não citar as inúmeras influencias que esta banda nova-iorquina, resgatou o passado dos tempos do “barulhinho bom”, entre elas, Velvet Underground, The Cars, Television e Tom Petty & The Heartbreakers (você nunca se deu conta do plágio descarado de “American Girl” de Tom Petty em “Last Nite”?, ok, mas esta não é a questão). Além disso, o grupo influenciou um batalhão de bandas mais recentes com sua atitude única, um som barulhento e as letras drogadas, que pregavam o surgimento das novas tecnologias de informação em tempos de Google, Soulseek, My Space e o Napster. As bandas como o Hives, Vines, Kaiser Shiefs, Black Rebel Motorcycle Club, Future Heads, LIbertines, Franz Ferdinand e Block Party estão entre os que beberam de sua energia.

No vídeo a banda está em uma sala fechada  que tem alguns buracos, no estilo de uma comporta de um típico navio. Desses buracos saem uma espécie de óleo que vai enchendo a sala até a banda desaparecer. Analogia metafórica de que a sala significa o pulmão e a espécie de óleo é tabaco misturado com alcatrão.

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Com uma narrativa confessional, Julian Casablancas berra para o mundo que não está nem ai para a sua opinião. Aqui o ponto de visto do interlocutor está entrelaçado num contexto social mais profundo: o vício nas drogas e no cigarro: – “As pessoas nos dizem o tempo todo que nós vamos morrer se não pararmos de fumar, mas você vive somente uma vez.”, comenta o vocalista e compositor.

O videoclipe deixa bem clara a mensagem:  a diversão dos jovens, denotando o impulso vital da juventude, termina com o inevitável fim, sem escapatória. Mas é um destino que chega para todos.

Conseguir entrelaçar a ideia do adicto particular da banda na beira de vários experimentos de filmagem, não é fácil. Como no exemplo, na truncagem das câmeras que contém o efeito fisheye que foram posicionado com uma parede acrílica, fazendo uma “caixa” no estúdio e podendo assim, capturar aos integrantes submergidos. A parede também servia de segurança para não danificarem os equipamentos quando eram filmados em planos fechados.

O trabalho do diretor Samuel Bayer é um relato ao mesmo tempo comovente e engraçado sobre o vício, apesar da trama ser extremamente simples e mesmo assim, essa metáfora de vida resultou num videoclipe fantástico. Meses antes  o diretor  já tinha dirigido o vídeo de “Heart In A Cage” da banda.

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“O abismo é profundo e pungente.” – Entretanto, como o próprio já deixou bem claro, só se vive uma vez…

Existe uma versão alternativa e futurista feito para divulgação da produtora RCA Records com a direção de Warren Fu em 2007. Aqui.

Enquanto a década chegava a sua metade, o Strokes lançaram o terceiro disco, intitulado First Impressions On Earth. Um trabalho de sonoridade insossa, talvez devido ao tratamento mais limpo e profissional, e longo demais para os parâmetros dos anteriores. São 14 músicas, boa parte, desnecessárias, que não renderam o prestigio que a banda carregava no lançamento de Is This It? (Boa parte disto devido ao “boom” da velocidade da internet que aliada à sede de qualquer novidade, cria e derruba deuses em segundos). Porém, alguns bocados foram salvos, como a maravilhosa “Jukebox”, faixa que carrega uma energia descomunal, “Heart In A Cage” e “You Only Live Once”, a mais simples e também a mais conhecida do tracklist.

Direção: Samuel Bayer | Ano: 2006

 

 

 

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths

  • Rodrigo Santos

    É muito fácil afirmar HOJE que Strokes não conseguiu manter a qualidade e a criatividade, não são fã ferrenho dos caras, mas também não sou cara de pau em fazer certas afirmações pretensiosas.