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Para Ver Antes de Morrer: #116. The Smiths | The Queen Is Dead: A Film By Derek Jarman

Para Ver Antes De Morrer | 08 jan 12 - por João Paulo Porto
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O The Smiths apostou em lirismo e melodias bem estruturadas para desbravar o circuito independente e produziram, talvez, o melhor som da década de 80. “The Queen is dead”, lançado em 1986, é a obra prima definitiva do rock inglês dos anos 80 e um dos discos mais belos e ricos em importância e influencia.

derek-jarman-season-intro-queen-is-dead_800pxNão houve videoclipes para o álbum, mas sim um curta dirigido por Derek Jarman (42-94), importante nome do cinema e responsável por It´s A Sin do Pet Shop Boys e também diretor do maravilhoso Caravaggio (1986). “The Queen is Dead” foi a faixa escolhida juntamente com “There´s a Light That Never Goes Out” e “Panic”.

O filme é estruturado em torno das três canções, cada música possui um roteiro um pouco diferente como se fossem três filmes diferentes ao invés de um conjunto harmonioso. O filme abre com a frenética e agitada “The Queen Is Dead”, com as imagens evocando uma visão simbólica da Inglaterra se desintegrando à altura do seu título. Em imagens que se movimentam rapidamente, capuzes, slogans, tinta spray em muros de pedra em ruínas, fogo em forma de cometa por toda a tela mostram a mensagem de uma Londres em caos de uma forma intensa e perturbadora.  Um jovem com asas de anjo parece estar sofrendo de dor, e coroas de jóias flutuam entre essas sobreprojeções de imagens que são a base do vídeo que está impiedosamente de acordo com o pulso firme da música que o acompanha.

download (3)Jarman utiliza-se das imagens simples e icônicas, repetindo-as insistentemente como se quisesse impor uma mensagem misteriosa em forma codificada: pétalas de flores, o rosto de uma menina, um violão girando, prédios abandonados. Só no final é que a estrutura repetitiva começa a quebrar, abrindo espaço para uma menina com cabelos cortados brincando em um pátio rodeado por edifícios abandonados, lançando uma bandeira britânica no vento. O ritmo das cenas diminui um pouco e ainda há abstrações, mas o efeito deste ligeiro abrandamento é exagerado pela densidade e velocidade do filme. Esses poucos momentos de relaxamento relativo se tornam impressionantes no contexto geral.

As sequências de “There´s a Light” e “Panic” não possuem elementos fortes e passam quase que despercebidas. O real impacto do vídeo está mesmo em “The Queen Is Dead” que apresenta características um pouco incomuns para o formato, mas que possuem elementos intrínsecos a sua filmografia, como a obra-prima Caravaggio (1986), que retrata extraordinariamente a vida e obra de Michelangelo Caravaggio (1571-1610), um dos maiores nomes da arte renascentista.

Derek Jarman

Derek Jarman morreu em 1994, decorrente de AIDS e deixou um legado impressionante. Sua filmografia é um desfile de preciosidades e culmina no expressivo Blue (1994), um filme completamente incomum. Como diretor de videoclips, é notável sua capacidade de produzir pequenas obras-primas como esta. Um diretor único, autentico inesquecível e moderno.

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Diretor: Derek Jarman | Ano: 1986

 

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths