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Para Ver Antes de Morrer: 0133. Talking Heads | Road to Nowhere

Para Ver Antes De Morrer | 14 fev 12 - por João Paulo Porto
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O experimentalismo, elemento bastante comum na música do Talking Heads se estenderia para o universo do videoclipe com resultados maravilhosos. David Byrne se tornaria um grande diretor de videoclipes ao unir a excentricidade da sua música com as idéias originais que pipocavam em sua cabeça para criar peças audiovisuais de extrema beleza e importância.

dj.bkqilrqe.227x170-99O experimentalismo seguiria uma linha mais pop a partir de 85 com a introdução de batidas mais acessíveis às rádios. Com o álbum Little Criatures o TH alcançaria pela primeira vez o top 10 no Reino Unido puxado pelo sucesso “Road To Nowhere”, uma da melhores canções do grupo e a prova viva da genialidade de Byrne como um grande diretor de videoclipes.

Dirigido juntamente com Stephen “Sledgehammer” Johnson – o lendário diretor de “Billie Jean”, “Money For Nothing” e “Take On Me” – o vídeo apresenta a banda e vários objetos rotativos como se estivessem indo para lugar nenhum: um relação clara com o significado triste da letra que fala das nossas vidas sem propósito e sem sentido (“Bom, sabemos para onde vamos Mas não sabemos onde estivemos E sabemos o que estamos sabendo Mas não podemos dizer o que já vimos.”).

O videoclipe começa com um coral a capella, em um alojamento, cantando o refrão inicial para depois prosseguir com imagens diversas dos membros da banda em diversas situações enfeitadas com o conceito de rotação, até chegar ao grupo do inicio do vídeo cantarolando as últimas frases numa estrada (que não leva para lugar nenhum).

tumblr_ms9vzxHXqJ1rwbisio1_250Este trabalho possui um veio de paranóia pouco convencional ao narrar uma historia triste encoberta por um videoclipe alegre e uma melodia dançante. A letra desconstrói a ilusão da vida e condena o consumismo excessivo da geração 80: as imagens carregam muito dessa desilusão, porém ofuscadas pela beleza de seus efeitos especiais (o resumo bem humorado da vida interpretado por Tina Weymouth e Chris Frantz deixa isso bem claro).

Stephen Johnson utilizaria efeitos de stop-motion parecidos com o do clássico “Sledgehammer” de Peter Gabriel e levaria – junto com Byrne – o conceito audiovisual a uma estrada mais próxima da apoteose.

Diretores: Stephen Johnson & David Byrne | Ano: 1985

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths