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Fotos e review: Royal Blood em Dublin

Shows | 18 mar 15 - por João Paulo Porto
royal blood

Quando você escuta o som do duo de Brighton, , é seguro dizer que seu estilo de rock baixo e bateria (o baixo de Mike Kerr foi alterada para soar como uma guitarra ou um baixo quando necessário) é um retorno a crueza do rock de garagem mais clássico, despreocupado em refinar seu som com algum tipo de auto-tune. Com vocais guturais, riffs de guitarra corajosos, bem estruturados porém, diretos deu a esta excelente dupla comparações com os Queens of the Stone Age e .

Mike Kerr e Ben Thatcher produziram o debut ano passado. O álbum contem 19 faixas sem baladas, para serem ouvidas de uma só vez. Então, mesmo com a surpreendente qualidade e confiança demostrada em seu debut, como seria uma performance ao vivo? Eu estive no The Olympia, uma casa de shows pequena, mas tradicional de Dublin, capital da Irlanda e aqui escrevo a minha experiência e para ser sincero, posso garantir que foi incrível.

royal blood at the olympiaMesmo com uma casa de show pequena e o palco mal iluminado, a dupla abriu o show com a pulsante “Hole”, seguida por “Come On Over” e a empolgadíssima “You Can Be So Cruel”. Kerr é um homem de poucas palavras, e não quis saber de conversa com a platéia, pois o seu foco é dar o melhor para o público do início ao fim. Um dos poucos momentos de dialogo acontece quando ele promete que “Dublin é a melhor cidade para tocar”.

O setlist reflete ainda mais o seu som, não há nada muito espalhafatoso, não há efeitos visuais além de luzes estroboscópicas para chamar a atenção ou distrair o público. Na verdade, quando  eles tocam “Figure It Out” e “Little Monster”, sendo gritadas a plenos pulmões, rodas de pessoas pulando e se batendo como se não tivesse amanhã agitam o The Olympia que parece desabar diante de tanta fúria.

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Eu me senti como se estivesse numa daquelas performances de rock clássico, visivelmente abalado tentando desesperadamente conseguir uma gravação decente de “Figure It Out” para compartilhar com os amigos ausentes em um momento posterior.

O público estava totalmente extasiado com a música, quando os meninos tocaram “Out of the Black”; que ficou praticamente abafada pelo som da platéia cantando junto. A única maneira que Kerr encontrou para acalmar o publico foi quando ele tocou um solo de guitarra cada vez mais duradouro, com pelo menos 90% da multidão ali de pé em reverência a sua performance. Foi lindo. Em certo momento, Mike Kerr pede à multidão para “erguer as mãos juntas para que o baterista Ben Thatcher demostrasse seu virtuosismo na bateria.

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O que lhes falta em integrantes, sobra em pura energia atmosférica. “Ten Tonne Eskeleton” ansiosamente esperada, cria uma tensão musical pura entre os dois que chega a ser fantástico de assistir.

É claro que com apenas 10 faixas de seu álbum de estreia, o show poderia ficar curto demais para uma plateia tão empolgada, mas a banda nos lembrou o quão brilhante são seus lados-B: ”Hole” e “You Want Me” que foram tão bem recebidos com o mesmo prazer quanto “Loose Change“ e “You Can Be So Cruel”.

IMG_8900Em resumo, a precisão atribuída a cada riff, cada nota é impressionante, suas performances ao vivo permanecem fiel ao som despojado de seu álbum, não há excesso e nenhum desejo de embelezar seu som além do que ele é. A banda parece querer remontar à idade rock clássico, quando a música era mais importante que a performance.

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Eu estava curioso para saber porque uma banda que, sem dúvida alguma, tem um potencial para tocar em uma casa de show do porte de um 3Arena, por exemplo, que é a maior de Dublin, decidiu tocar dois shows esgotados no pequeno Olympia. Examinando a performance no geral, eu entendi que eles preferem shows mais intimistas, saboreando o prazer absoluto que é estar de frente com seus fãs em um estado único de frenesi.

Vídeo da apresentação da canção “Careless”

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths