Anúncio com Código

Para Ver Antes de Morrer: #203. Peaches | Set It Off

Para Ver Antes De Morrer | 03 ago 13 - por Thiago Murta Ferreira

A vulgaridade fica em segundo plano, quando os casais se fecham em um banheiro masculino de uma boate. A privacidade se torna distinta ao livre acesso para casais que querem algo mais do que só apenas pegação. Principalmente quando a gente conhece a cantora Peaches. Toda vestida em rosa, uma diva do underground com seu estilo Eletro Dance e o som que se torna o hino de várias personalidades do suburbano das grandes metrópoles.

Capturar peachesO videoclipe mostra a cantora com seu figurino atípico em baladas de alto escalão, sem medo da extravagância e emergindo toda a sua “endorfina”, não aparenta constrangimento. Ficando de frente a um mictório de um vestuário. Escancara todos os arquétipos da sociedade e convida a realidade do que acontece num local onde vários gêneros e gostos se mesclam nas noites fechadas de um estabelecimento. Os olhares e os líbidos são tantos que até hipnotiza o ser mais conservador no mundo.

A coragem sem igual que conscientiza sobre a sexualidade e encara a fragilidade feminina. A mulher é a forma explorada do mais feminista e simpatizante possível, passando por prostituição e afins. Um debate que aumenta em todos os limites ao longo do videoclipe. No início uma mulher fica curiosa e só vendo na aresta da porta do que ela irá a descobrir.

Lá do banheiro tem quase de tudo e mais um pouco, em todas as portas das privadas.  Lésbicas, prostitutas, tarados, um gogo boy, punks e mulher bêbada durante e depois de um vômito. O trivial se torna convidativo para outros entrarem, mulheres se maquiando ou se depilando com o apoio de uma pia do banheiro. Sem contar um lote de dinheiro, jogado e dado à descarga na boca da privada.Capturar yyt

-Você não pode se agredir ou ficar enrustido, porque a proposta é na real para qualquer balada do mundo.

A libertinagem geral acontece no meio do vídeo, quando ela tira a jaqueta rosada e fica de lingerie, lembrando que ela já está de calcinha rosa amostra, dançando e continuando a intimidar você. Naquelas sensações de: – E aí? Vai encarar? Não?

Na direção é coordenada com muitos takes no meio de um único lugar, uma sensação quase claustrofóbica que não parece ter espaço para ninguém entrar e sair de lá. Só muda poucas vezes num close para nossa cantora e os efeitos nada de especial entram. É ai que chega à cena bizarra.

Vale lembrar que a música é despojada sobre o sexo, e o mais interessante é que de uma forma não apresenta cenas de nudez. A praticidade de ver os pelos de computação gráfica no corpo da cantora se torna algo incrível e muito chocante. Ao longo do vídeo, eles começam a crescer e ficam expostos nas axilas e os pelos pubianos aumentam na virilha. – E agora? Vai encarar?

Capturar ttrcNo final, o vestiário está tomado por pessoas dançando e tanto a música quanto os sexos editam a festa no lugar. A filmagem erótica e esporádica faz você pensar sobre os limites do que pode ser exposto ao que relata sobre a liberdade de expor as imagens. Quebrando os paradigmas da privacidade humana, sem vergonha e mesmo assim não deixa de ser original.

Ela mistura sons e mutila a sua própria música. Ela é o tipo de mulher que poderia te comer no café da manhã – dizem os diretores Daniel Lwoski & Frank Wilde (sendo irônicos).

“Set It Off” é uma canção escrita e gravada por Peaches. A canção foi lançada como o single EP de seu álbum de estréia “The Teaches of Peaches” de 2000. Esse aqui é versão antecessora em formato de filmagem de câmera “Super 8”, algo comum em gravação independente: Aqui.

Capturar 5Peaches é um pseudônimo para Merrill Nisker, cantora nascida em Toronto no Canadá, é referenciada para inúmeros remixes e gravações para Djs e afins. O que mais toca também até hoje é “Fuck The Pain Away” nas casas noturnas e bares das grandes cidades. O álbum tem várias vertentes musicais que são amplas para todas as etnias e estilos urbanos.

Empurrando os limites de expor, a música é frenética e engajada. O tema sexo é o mais utilizado pela cantora. Ela serve como inspiração de cantoras do mainstream, como não dizer de Lady Gaga que por exemplo, usou mechas quase similares nos pelos nas axilas e na cabeça para uma performance de “Born This Way”, na premiação da MuchMusic. [LINK].

O álbum foi regravado pela produtora da Sony em 2003 e teve o seu videoclipe lançado pela gravadora.

Direção: Daniel Lwoski & Frank Wilde | Ano: 2003

Thiago Murta Ferreira

Cursando em Turismo na (UNICID – SP), a sua disciplina que mais se dedica é área de Artes e Museologia. Na qual, pretende entrar na carreira de Design em breve. Desde criança assistia e anotava os seus videoclipes interessantes em um caderno. Um bom pretexto que se dedica no site é sobre videoclipes artísticos, do Rock ao Eletro underground dos anos 90 e até os dias de hoje. Sempre procurando as curiosidades relevantes das produções audiovisuais.