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Para Ver Antes de Morrer: #304. Kendrick Lamar | Alright

Para Ver Antes De Morrer | 07 set 16 - por João Paulo Porto
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Às vezes é difícil lembrar, vivendo agora em uma cultura pop de música efémera, que o hip-hop foi tão importante pela linguagem, música, estética e política, que ver o mais recente e belíssimo clipe de “Alright” reforça ainda mais a força deste movimento jovem que por anos, foi tão pouco explorado pela mídia corporativa.

O que vemos em “Alright”, terceiro e melhor videoclipe da carreira de , extraído de To Pimp A Butterfly, é um tapa na cara desconcertante na delicada situação que vive os EUA atualmente. O rapper homenageia as vítimas negras mortas pela polícia dos EUA nos últimos trágicos acontecimentos que se tornaram escândalo nacional.

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O filme de protesto social dirigido por Collin Tilley, captura de forma visualmente deslumbrante e bonita as questões do racismo, do orgulho da raça, da luta de classes e as alegrias e atritos da vida urbana em um instantâneo de cores paradoxalmente monocromáticas mas que parecem saltar da tela.

Claro, Lamar faz coisas loucas, como  jogar notas de 100 dólares ao fazer “rosquinhas” no carro em um estacionamento e pairar em cima de um semáforo. É uma metáfora clara à positividade das pequenas coisas da vida que o vídeo ecoa com a mensagem do “Tudo vai ficar bem no final”:  ‘Fomos feridos, já caímos antes/Nigga, quando nosso orgulho tá lá embaixo/Olhamos para o mundo e dizemos: ‘Para onde vamos?’/(…)Mas nós iremos ficar bem‘.

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Muitas perguntas são deixadas no ar:  Por que Lamar leva um tiro? Por que ele sorri logo depois que recebe o tiro? O que as crianças representam? Certamente vamos precisar ver e rever muitas vezes para obter uma compreensão completa. No entanto, podemos apontar algumas respostas para estas perguntas: Kendrick seria um tipo de herói para estas crianças – na medida que uma figura se torna pública, suas ações e valores têm que ser heroicos. Sua morte, aparentemente em vão, simbolizaria superação – superação muito necessária diante de um cenário infortúnio para os negros americanos.

“Alright” se tornou instantaneamente um dos clipes mais influentes da atualidade e considerado por muitosão  meios de comunicação mundo o melhor do ano. E obviamente é a melhor resposta às tragédias de Ferguson e State Island.

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths