Para Ver Antes de Morrer: 77. M.I.A. | Borders

Anos 2010, Para Ver Antes de Morrer | 28 fev 19 - por João Paulo Porto

“Borders” é uma poderosa declaração sobre a crise humanitária atual. A cantora M.I.A levanta essa questão de forma brilhante num clipe épico e cercado de polêmicas.

Maya Arulpragasam é uma famosa rapper, cantora, designer, produtora e também refugiada. Quando tinha 9 anos, sua mãe e seus irmãos fugiram da violência no Sri Lanka e vieram para Londres, e a experiência foi formativa para sua arte. Como ela explicou ao The Guardian em 2005, “eu era uma refugiada por causa da guerra e agora tenho uma voz em um momento em que a guerra é a coisa mais investida no planeta.

Seu videoclipe aborda a questão de uma maneira particularmente literal e urgente, não apenas mostrando solidariedade aos refugiados em um momento em que eles são tidos como ameaça no Ocidente, mas também colocando uma pergunta simples para os ouvintes: Quais vidas você valoriza?

O clipe “Borders”, uma música de seu álbum A.I.M., apresenta imagens que lembram todo tipo de migração do mundo em desenvolvimento – há pessoas cruzando desertos, cercas, rios e mares. Embora grande parte do trabalho da M.I.A. tenha sido sobre mulheres e crianças, esse vídeo é repleto de homens: o bicho papão para muitos no Ocidente, estereotipados como terroristas, criminosos e trabalhadores.

Muitos acusaram o clipe de controverso por razões além do fato de que a cantora só quer afirmar a dignidade e a beleza das pessoas que muitas vezes são negadas. Alguns argumentaram que ela está usando as pessoas como adereços, estetizando a pobreza para seu próprio ganho e alimentando estereótipos sobre o mundo em desenvolvimento como uma massa indiferenciada.

Mas o fato é que ela é uma refugiada falando em favor dos refugiados. E seu mantra “what’s up with that?” (“o que eu tenho a ver com isso?”) é uma pergunta repetida inúmeras vezes durante o clipe. Qual a sua resposta?

Diretora: M.I.A. | Ano: 2015

João Paulo Porto

Criador do site 1001 Videoclips e apaixonado por The Smiths.