Para Ver Antes de Morrer: 73. Peter Gabriel | Shock The Monkey

Anos 80, Para Ver Antes de Morrer | 22 fev 19 - por João Paulo Porto

Difícil acreditar que o mesmo homem que dirigiu os clipes super coloridos das divas Whitney Houston (“How Will I Know”), Donna Summer (“She Works Hard For The Money”) e Olivia NewtonJohn (“Physical”), também estava por trás de um dos clipes mais sinistros e perturbados de todos os tempos: “Shock the Monkey” do britânico Peter Gabriel.

Brian Grant, que já dirigiu episódios de Doctor Who, Hex e o filme de ação de 1995 Os Imortais, confessou que este ainda é o trabalho que mais se orgulha. “Eu acho que ‘Shock the Monkey’ é uma das melhores coisas que já fiz. É uma ótima música, é um ótimo artista. Tivemos sorte que todas as imagens funcionaram e podem ser interpretadas de maneiras diferentes.”

“Shock the Monkey” foi a primeira música de Peter Gabriel a alcançar o Top 40 dos EUA, em grande parte graças a este vídeo inesquecível. Peter ficou muito famoso em meados dos anos 80 por causa de “Sledgehammer” e “Big Time”, mas “Shock the Monkey” se destacou  Era quase que um mini-filme de terror. 

O vídeo apresenta Gabriel em dois aspectos: primeiro como um homem de negócios atormentado e depois como um xamã vestido de branco, com o rosto pintado com marcas tribais. No final do vídeo, ele é entregue ao seu “eu” mais primitivo.

Grant descreveu o conceito como “os homens, com o passar do tempo, perderam seus instintos primitivos. À medida que nos tornamos mais modernos e quanto mais a tecnologia assume, menos instintos temos. Isso é o que os dois homens no vídeo basicamente representam. O homem de terno representa o homem moderno. O homem todo branco é a representação de seu lado mais primitivo tentando penetrar em seu subconsciente. O branco acabou se sentindo mais tribal, mais primitivo e nós nos inspiramos em algumas tribos da América do Sul.”

A inspiração, segundo o diretor, veio depois de assistir ao clássico de ficção-científica Blade Runner, de Ridley Scott. “Eu fiquei fascinado com todas as máquinas e as luzes que saiam do lado de fora das janelas.“. O clipe ganhou com o passar do tempo, o status de cult (muito devido a sensibilidade do diretor em compor uma peça audiovisual atemporal, inspirada no melhor que o cinema americano produziu nos anos 80) e também introduziu PG, sempre a frente do seu tempo, ao maravilhoso mundo dos videoclipes. 

Este vídeo, muito mais que “Sledgehammer”, mostra porque Peter Gabriel foi absolutamente o pai dos vídeos musicais. Suas músicas são tão visuais quanto auditivas e sua sensibilidade é tão única que seus singles sempre acompanhavam  vídeos fantasticos e confusos que, apesar de terem sido feitos no início da era do videoclipe, ainda continuam com a mesma intensidade e beleza. Peter Gabriel é o David Lynch do pop: idiossincrático, brilhante e totalmente cativante.

Diretor: Brian Grant | Ano: 1982

João Paulo Porto

Criador do site 1001 Videoclips e apaixonado por The Smiths.