Para Ver Antes de Morrer: 64. Bob Dylan: Subterranean Homesick Blues

Anos 60, Para Ver Antes de Morrer | 21 dez 18 - por João Paulo Porto
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Em 1965, Bob Dylan sofria de um excesso de criatividade incrível. Além de eletrizar o folk e fudir a poesia existencial com o rock ‘n’ roll, o cantor e compositor norte-americano estava transformando tudo o que fazia em algo mais. Até mesmo o clipe involuntário de “Subterranean Homesick Blues” – que abria o arrebatador documentário de D.A. Pennebaker, Don’t Look Back – tornou-se uma obra de arte instigante (ou simplesmente provocadora). Este ato influenciou a forma de criar videoclipe com representações visuais de suas letras. Um clipe era uma experiência estranha, inteligente e totalmente Dylan.

Enquanto estava em turnê na Inglaterra (e sendo filmado para o documentário), Bob teve a ideia de aproveitar a equipe de filmagem que o seguia. Ele tentou fazer um pequeno filme musical para máquinas francesas chamado Scopitones, que eram jukeboxes visuais que tocavam videoclipes de três minutos em filmes de 16mm. Dylan selecionou “Subterranean Homesick Blues”, o single que ele lançou no início de 1965, para acompanhar o clipe.

Membros da comitiva de Dylan – incluindo o colega cantor e compositor Donovan, o escritor Allen Ginsberg e o Bob Neuwirth – ajudaram Bob a rabiscar palavras politizadas em cartões de papel que eram exibidas na tela, uma a uma, no beco atrás do Savoy Hotel, em Londres.

O clipe de dois minutos e 20 segundos foi filmado em uma tomada contínua, com Dylan segurando um “What??” antes de sair da moldura. Algumas palavras foram tiradas diretamente da música, enquanto outras incluíam erros intencionais, trocadilhos e piadas sobre o sotaque de Dylan (“pawking metaws”).

Quase que instantaneamente, o clipe tornou-se famoso, duradouro como um clássico do curta-metragem (mais tarde, para se tornar o videoclipe da era da MTV) e como um dos momentos mais emblemáticos de Dylan. Como tal, houve um vasto leque de homenagens, imitações e paródias. Alguns videoclipes mais famosos foram o dos australianos do INXS (“Mediate“), Steve Earle (“Jerusalem“) e “Weird Al” Yankovic (“Bob“), comerciais de fitas cassete da Maxell e referências nos filmes Bob Roberts (1992) e Love Actually.

Diretor: D.A. Pennebaker | Ano: 1965

João Paulo Porto

Criador do site 1001 Videoclips e apaixonado por The Smiths.