Para Ver Antes de Morrer: 43. Kylie Minogue | Come Into My World

Anos 2000, Para Ver Antes de Morrer | 24 out 18 - por João Paulo Porto

Um dos clipes mais ambiciosos e marcantes da carreira da Kylie Minogue é também um de seus mais inteligentes. Com um elenco de 50 extras, Kylie caminha pelas ruas de Paris em um Loop, e cada vez que ela volta ao seu ponto de partida, o número de kylies multiplica e, ao termino do vídeo, o impressionante efeito de múltiplas e idênticas kylies que andam pelas ruas de Paris surpreeende pela apurada coincidência.

O diretor Michel Gondry já tinha experimentado com o conceito de duplicidade no videoclipe de Neneh Cherry, “Feel It” em 1997. Aqui, ele se superou. Para tornar isso possível, o clipe foi filmado com uma câmera de controle de movimento, com a meticulosa rotoscopia e composição liderada pelo irmão de Michel, Olivier Gondry.



Para filmar o clipe, uma plataforma de controle de movimento situada em uma pista no meio da interseção das ruas era usada para filmar exatamente o mesmo movimento várias vezes, enquanto Minogue e os figurantes executavam suas ações. Essas ações foram bem coreografadas, em especial para Minogue, como passar por baixo do próprio braço sem esbarrar. As ações secundárias também foram coordenada para garantir momentos divertidos, como o mesmo personagem escalando quatro escadas separadas.

Os clipes do final da década de 1990 até o início dos anos 2000 eram sempre sensacionais. É claro que, ao mesmo tempo que o CGI estava progredindo no cinema, os diretores de videoclipes começaram a aproveitar também os avanços nos efeitos digitais, particularmente na composição, para ajudar a contar suas histórias, muitas vezes de maneira peculiar e única. Essa era, na época, a melhor maneira de se destacar entre a multidão.




No entanto, Michel Gondry nadava na contramão e frequentemente empregava métodos sutis de efeitos visuais em seus clipes. Às vezes, é claro, suas peças evitavam qualquer tipo de aprimoramento digital e permaneciam completa e inteligentemente analógicas, dependendo muito dos efeitos “simples” da câmera. O clipe de “Come Into My World”, por exemplo, era uma obra analógica e sem efeitos de computador. Gondry tira o máximo proveito da simetria das filmagens, empregando truques semelhantes àqueles que ele usaria mais tarde em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. É um trabalho de muita paciência e esforço que até hoje ainda enche os olhos de quem asssite.

Diretor: Michel Gondry | Ano: 2002

Arte da capa por: Aidan Roberts.

João Paulo Porto

Criador do site 1001 Videoclips e apaixonado por The Smiths.