Os Melhores Videoclipes dos Anos 80 (Parte 2)

Anos 80, Listas | 24 dez 18 - por João Paulo Porto

Desde o advento do radio, não havia uma ferramenta tão poderosa para alavancar ou derrubar a carreira dos artistas quanto o videoclipe. Os anos 80 viram a MTV e a VH1 se tornarem a nova jukebox de toda uma geração de fãs de música, onde os videoclipes não eram mais apenas um adicional, mas integrais à imagem de um artista.

Com o meio ainda não refinado, não havia convenções a seguir; Era o velho oeste, tanto musical quanto visualmente, e permitia experimentações sem fim. Mesmo que a tecnologia fosse grosseira, isso levava a inovações ainda mais criativas.

o 1001 Videoclipes escolheu entre muitos, o melhor dos vídeos musicais dos anos 80 que definiram a década. E se você acredita que faltou algum clipe essencial, por favor, não hesite em nos informar nos comentários abaixo.

E para conferir a primeira parte é só clicar na foto abaixo: 

26. Aerosmith – “Janie’s Got A Gun”

Em “Janie’s Got A Gun”, do Aerosmith, já é possível observar o estilo narrativo e estético que o diretor David Fincher utilizaria em seus filmes, como por exemplo, a iluminação com lanternas e muito suspense dramático. Por isso é  justificável o clima de tensão construído pela narrativa: uma jovem que mata seu pai depois que ele a abusa sexualmente. O vídeo inovou na época ao apresentar-se temas horríveis e realistas de estupro e incesto; dois tópicos que nunca foram falados em um videoclipe antes.

27. David Bowie – “Ashes to Ashes”

Por causa de seu treinamento no palco, seu interesse em figurinos e moda e nas artes visuais, sua exploração de personas performáticas, sua vontade de casar música com imagens não convencionais que não eram uma representação literal de seus concertos ou de suas letras, Bowie enxergou o videoclipe como uma extensão perfeita. Lançado em agosto de 1980, “Ashes to Ashes” se tornou um dos mais conhecidos vídeos de Bowie, sem mencionar um dos mais inovadores e extremamente influentes de todos os tempos.

28. Robert Palmer – “Addicted To Love”

De tão icônico, o clipe do Robert Palmer circula no imaginário pop. De homenagens desde Shania Twain a Watchman, “Addicted To Love” é lembrado como um dos clipes mais memoráveis e relevantes da década perdida.

29. Kim Carnes – “Bette Davie’s Eye”

O vídeo foi dirigido pelo australiano Russell Mulcahy, que fez muitos dos primeiros clipes da era MTV. Seus vídeos eram muito artísticos e cheios de cenas inesperadas. A multidão fantasiada batendo no chão e uma na outra na hora da bateria eletrônica era um típico toque de Mulcahy. O clipe passou muito na MTV e deu à música um grande impulso, levando ao numero 1 nos EUA por 9 semanas.

30. Madonna – “Open Your Heart”

Uma dicotomia que deixou muitos fãs confusos. Ao mesmo tempo que Madonna se apresenta como uma dançarina quase prostituta, ela também se revela uma mulher dócil e frágil. O clipe foi dirigido pelo francês Jean-Baptism Mondino. Anos mais tarde, ele seria o responsável por dar a vida ao hoje clássico “Justify My Love”, da mesma.

31. Bonnie Tyler – “Total Eclipse of the Heart”

O épico de Bonnie Tyler é daqueles clipes que permeiam a memória subincosnciente de quem cresceu naquela época. Exageros cinematográficos e muita coreografia errada deram o tom das futuras produções visuais da década. Russell Mucalhy é o diretor. E adivinha só! ele seria responsável por trazer às telas o mega sucesso Highlander, alguns anos depois.

32. George Michael – “I Want Your Sex”

Michael escreveu “I Want your Sex” em resposta à epidemia de AIDS. “A mídia dividiu o amor e o sexo de maneira inacreditável”, disse ele. Tentando acabar com a controvérsia, Michael ilustrou o vídeo da música, estrelado por ele e sua então namorada, a maquiadora Kathy Jeung, que aparece emaranhada em lençóis de cetim. Suas costas nuas eram usadas para passar a mensagem da música, Explore Monogamy. Ou: “o sexo não precisa ser assustador quando se trata de alguém em quem você confia e quando você toma as devidas precauções.”

33. Don Henley – The Boys of Summer

O grande vencedor do segundo MTV Video Music Awards de 1985 foi dirigido por Jean-Baptiste Mondino, um designer gráfico e fotógrafo francês que filmou em preto e branco um clipe artístico e abstrato. Quando Henley aceitou o prêmio de Melhor Vídeo no VMA, ele admitiu não ter ideia do que estava acontecendo quando gravou o clipe, mas disse que Mondino e sua equipe fizeram “o sul da Califórnia parecer o sul da França”.

34. The Cars – “You Might Think”

A tecnologia empregada neste clipe pode parecer ultrapassada aos nossos olhos, mas nos anos 80, era tudo que tinha de novidade em efeitos especiais. O The Cars foi uma grande banda pros anos 80 e este clipe carimbou o passaporte da banda para a eternidade. Venceu “Thriller” como melhor videoclipe do ano no primeiro MTV Music AWards em 1984.

35. Dire Straits – “Brothers in Arms”

Copiando o sucesso estrondoso de “Take On Me”, o Dire Straits convida o diretor do famoso clipe do a-ha para mais um deslumbre visual. A música é uma crítica à guerra das Malvinas, e o clipe capricha na mensagem feito com efeitos especiais de rotoscopia para impressionar com tanta beleza e poesia.

36. Herbie Hancock – “Rockit”

Robôs e esculturas se movem no ritmo da música, enquanto Herbie Hancock é visto em um aparelho de televisão tocando um teclado. Apresenta esculturas de pássaros, manequins, calças de dança, pernas de robôs e muito mais. Não é de admirar, portanto, que o vídeo tenha recebido cinco MTV Video Awards em 1984, incluindo Melhor Vídeo Conceitual e Melhores Efeitos Especiais.

Um grande sucesso no Reino Unido, este vídeo continua incrível e foi dirigido pela dupla visionária de Kevin Godley e Lol Crème, ex-mestres pop dos 10CC.

37. Duran Duran – “Rio”

Rio é a melhor representação possível do que era ser adolescente nos anos 80. A banda espertamente soube agradar a juventude yuppie e os adultos que inicavam a carreira no business. Sol, praias, belas mulheres e músicas dançantes. Era tudo que podíamos esperar dos anos 80.

38. Fleetwood Mac – “Gypsy”

Na época, “Gypsy” era o clipe mais caro já feito. Vários cenários sofisticados e a presença triunfante de Stevie Nicks combinados com uma edição maravilhosa do diretor australiano Russel Mucalhy deram ao clipe status de luxo. Dificuldades enfrentadas por Nicks, que estava viciada em cocaina na época, alem de ter que gravar com seu ex Lindsay Buckingham, apenas levaram o clipe ao status de clássico.

39. R.E.M – “Orange Crush”

Eu queria que nossos vídeos e nossas músicas apelassem para garotos e garotas. E isso exatamente refletia minha sexualidade, na verdade”, conta Mike Stipe sobre o clipe de “Orange Crush”. Por isso que os clipes do R.E.M eram cheios de garotos e garotas sem camisa. “Orange Crush”, tem imagens homoeróticas contundentes, incluindo homens sem camisa em fotografia preto e branco deslumbrante. Homens são objetivados, nenhuma mulher aparece no vídeo.

40. Kate Bush – “Cloundbusting”

Bush era uma grande fã do filme de Terry Gilliam, Brasil (também favorito de Win Butler, do Arcade Fire), e recrutou o famoso cineasta para ajudar a criar um storyboard e uma paleta de cores neutras. O cinegrafista de Gilliam, Julian Doyle, dirigiu e o ator Donald Sutherland acabou topando aparecer de graça.

41. Supertramp – “Better Days”

“Better Days”, é o melhor videoclipe do Supertramp. Uma reflexão sobre o passado e o futuro, e também a então presente década de 1980 que está em todo o lugar, mas nunca perdendo importância ou significado. Visualmente falando, Está longe de seu clipe revolucionário “Take On Me“, mas há momentos especiais como a transição do preto e branco para a cor quando o menino é transportado para este túnel do tempo que fazem deste clipe, também um dos melhores dos anos 80.

42. Talking Heads – “and She Was”

O vídeo foi o primeiro criado por Jim Blashfield, que foi pioneiro de um estilo de animação de colagens em curta metragem, Suspicious Circumstances, chamando a atenção de David Byrne do Talking Heads, que queria um tema semelhante para o clipe de “And She Was”. O clipe resultante recebeu indicações ao MTV Video Music Award de Melhor Vídeo de Grupo e Melhor Vídeo de Conceito. Blashfield foi contratado para mais vídeos neste estilo; seu trabalho pode ser visto em “A Boy in the Bubble” (Paul Simon), “Sowing the Seeds of Love” (Tears For Fears) e “Leave Me Alone” (Michael Jackson).

43. The B-52’s – “Legal Tender”

Um videoclipe muito simples foi feito para ilustrar “Legal Tender”. O clipe tocou bastante na MTV em 1983 e na época, chamou bastante atenção pela simplicidade. Os diretores Mick HaggertyC.D. Taylor utilizaram efeitos especiais tão baratos, mas tão baratos, que o clipe era uma lição de simplicidade. É possível que o custo da produção não tenha ultrapassado os 100 dólares, incluindo as perucas. O clipe se tornou icônico. E assisti-lo hoje ainda é um retorno aos anos oitenta, com seus excessos visuais e seu clima ininterruptamente festivo.

44. Adam & the Ants – “Prince Charming”

Um clássico exemplo de videoclipe inseparável da música. O próprio Adam Ant admitiu que “Prince Charming”, não pôde ser entendido corretamente sem o vídeo. De um recurso dedicado à mera promoção de uma música, o vídeo chegou ao ponto em que poderia complementar a imagem sugerida apenas pela música. E isso fez muita diferença na época. Aos poucos, outros artistas começaram a entender que música e imagem juntos poderiam elevar o sentido da canção a outros patamares. “Sweet Dreams” do Eurythmics assim como “Take On Me” do a-ha, são canções que não poderiam ser melhor absorvidas sem seus clipes, hoje, clássicos. E o que dizer de “Singles Ladies” de Beyoncé. 

45. Duran Duran – “Girls On Film”

O polêmico “Girls on Film” – um sombrio retrato da vida das modelos, marcou época ao mostrar o primeiro nu frontal em um clipe. A sociedade norte-americana e britânica, que ficaria chocada até mesmo com o visual andrógino de Boy George – o vocalista da icônica banda Culture Club, desafiando o juiz no clipe de “Do You Really Want To Hurt Me” de 1982 – não entendeu a piada. O clipe teve que ser pesadamente editado para que pudesse ser transmitido nos lares familiares. E o Duran Duran tinha ido longe demais tão rápido.

46. The Buggles – “Video Killed the Radio Star”

O primeiro clipe exibido pela MTV foi “Video Killed”, dirigido pelo australiano Russell Mulcahy. Começava aí a era dos videoclipes, que foram muito importantes para o novo mercado que surgia na década: o das megacorporações, das poderosas gravadoras e dos executivos que viram no novo formato, a mina de ouro para alavancar vendas de álbuns, singles, ingressos de shows e os mais variados produtos. Assim, os videos se tornaram um elemento essencial para o sucesso de uma banda pop, e posteriormente orientar quem disputaria o primeiro lugar das paradas de sucesso.

47. Culture Club – “Do You Really Want To Hurt Me?”

Na Grã-Bretanha, Boy George manteve uma qualidade admirável, reminiscente da vida noturna de Londres, do travestismo e do mundo da arte e da moda gay; na América, onde alcançou audiências através de uma série de clipes inesquecíveis, George era visto como uma espécie de extraterrestre benigno, um E.T. Pop. O clipe de “Do You Really” “Era sobre ser gay e ser vítima de sua sexualidade, que George era uma espécie de figura emblemática.” – disse Julien Temple, diretor do clipe.

 

48. Joy Division – “Atmosphere”

O videoclipe é uma homenagem póstuma ao lendário vocalista / guitarrista Ian Curtis (1956-1980), dirigido pelo holandês Anton Corbijn, um amigo próximo e fotógrafo oficial da banda durante sua breve duração. Assim como o tema da música, o videoclipe também tema atmosfera bastante sombria no qual misteriosos homens encapuzados vestidos em mortalhas carregam fotos da banda numa representação fúnebre assustadora. Décadas depois, a serie Stranger Things apresentou à nova geração a música poderosa, escrita pelo talentoso Ian Curtis, que tirou a própria vida depois de lutar contra uma depressão.

49. The Human League – “Don’t You Want Me”

O videoclipe foi gravado em um momento em que a MTV ainda estava Só começando e muitas pessoas nem sabiam o que era um videoclipe. Filmado em uma noite fria e chuvosa em Slough, Berkshire, o vídeo mostra o vocalista Phil Oakley como diretor e Susan Ann Sulley como a atriz que sai com ele durante as filmagens de um misterioso assassinato. O diretor Steve Barron usou pela primeira vez em um videoclipe o filme de 35mm, Resultando em um trabalho visualmente rico e cinematográfico que era incomum para os videoclipes da época. Barron foi influenciado pelo filme Day for Night de Truffaut.

50. Peter Gabriel – “Shock the Monkey”

Shock the Monkey ”foi a primeira música de Peter Gabriel ao entrar no Top 40 dos EUA, e é em grande parte graças a este vídeo inesquecível. Apesar de “Sledgehammer” e “Big Time” serem mais populares, o diretor Brian Grant fez de “Shock the Monkey”, parecer mais um filme de terror do que um promo de uma nova música.

João Paulo Porto

Criador do site 1001 Videoclips e apaixonado por The Smiths.