Os 25 Melhores Videoclipes Internacionais de 2016

Listas, Melhores Do Ano | 30 dez 16 - por João Paulo Porto
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2016 foi um ano incrível para o formato. Tivemos o incrível album visual Lemonade da Beyoncé para começar bem o ano, o retorno maravilhoso de Frank Ocean com o clipe polemico de “Nikes”, Solange fez um retornou vibrante com dois clipes deliciosos, e David Bowie disse adeus de forma clássica e elegante.

2016 provou que o videoclipe pode ser uma obra de arte – ou pode entregar uma mensagem, como DJ Shadow e Run The Jewels provou no inesquecível “Nobody Speak”.

Aqui estão os 30 melhores vídeos musicais internacionais de 2016.

25. Sia: “The Greatest” (Dir. Sia and Daniel Askill)

O clipe e a música são uma homenagem às vítimas do massacre na boate Pulse em Orlando e o vídeo é mais uma prova de como Sia consegue contar uma história linda apenas pela expressão corporal.

24. Coldplay: “Up&UP” (Dir. Vania Heymann e Gal Muggia)

Up&Up” é um clipe retro e moderno, surreal e também, muito pé no chão. Como resultado, vemos uma estética visual apurada, que mescla céu e mar, animais interagindo com seres humanos em locais não habituais, e os próprios humanos, em diferentes escalas, também convivendo com localizações surreais. Enfim, é um sopro de criatividade.

 

23. Dj Shadow: “Nobody Speak” Feat. Run The Jewels (Dir. Sam Pilling)

Com a direção de Sam Pilling, o clipe é um tapa na cara no cenário político atual. Nele, vemos uma sala repleta de líderes globais que, ao invés de discutirem assuntos importantes, disparam uma seleção de rimas e ataques verbais que acabam resultando em uma pancadaria generalizada.

 

22. The Weeknd: “False Alarm” (Dir. Ilya Naishuller)

O clipe intenso e violento de “False Alarm” é uma espécie de curta-metragem em que Abel Tesfaye conduz um insano assalto ao banco. O clipe foi dirigido por Ilya Naishuller, que trouxe a tona um novo estilo de narrativa visual para o cinema, com o filme “Hardcore”.

 

21. Chemical Brothers: “Wide Open” feat. Beck (Dir. DOM&NIC)

O vídeo explora a ideia de deixar tudo aberto, exposto; uma vez que apresenta uma dançarina que aos poucos, vai apresentando sua estrutura interna. Tudo foi feito com apoio de ferramentas 3D e estrutura digital. O resultado não poderia ser outro, a não ser a beleza pura da dança, de movimentos, e da própria arte.

 

20. Miike Snow: “Genghis Khan” (Dir. Ninian Doff)

Os suecos do Miike Snow, sob a direção de Ninian Doff, faz uma releitura diferente da clássica cena de 007 Contra Goldfinger de 1964 e lança a semente da dúvida. No clipe, o personagem se depara com um dispositivo que pode matar ou libertar o espião prisioneiro, mas se vê apaixonado por ele e não sabe o que escolher. “Eu quero me decidir, mas eu não me conheço” diz a letra da música. Por fim vence a segunda opção e os dois dançam juntos.

 

19. Rihanna – “Work” (Feat. Drake) (Dir. Director X & Tim Erem)

Uma celebração do sexo: com química e carisma, Rihanna e Drake, pelo menos durante os sete minutos e meio, parecem realmente gostar de dançarem e se esfregarem pelos cantos.

 

18. Phantogram – “You Don’t Get Me High Anymore” (Dir. Grant Singer)

O clipe para a melhor música do Phantogram, destilou essencialmente uma temporada inteira de American Horror Story em uma explosão de imagens livres de narrativa glamourosa e mórbida. Esta foi a decisão certa. E esse maremoto em CGI é muito bonito.

 

17. Massive Attack – “Voodoo In My Blood” (Feat. Young Fathers) (Dir. Ringan Ledwidge)

O diretor do clipe é Ringan Ledwidge, que dirigiu um filme de terror em 2006, A Face Oculta do Mal. Por isso, as referencias a filmes de terror são explicitas neste clipe assustador do Massive Attack. Protagonizado pela atriz Rosamund Pike (“Garota Exemplar”), No clipe, ela aparece sozinha, andando por um túnel do metrô, quando se depara com uma esfera flutuante. aparentemente, a esfera parece ser inofensiva, mas o que se segue é um desfile de cenas de terror dignas de filmes como Fantasma (1979) e Possessão (1981).

 

16. Kaytranada, “Lite Spots” (Dir. Martin C. Pariseau)

No clipe de “Lite Spots”, Kaytranada encontra um pequeno amigo robô encantador. Ele ensina alguns passos para o robô, que em seguida, começa a tomar as ruas de Los Angeles com muita dança. Tudo isso ao som mixado da nossa brasileira Gal Costa.

 

15. Beck: “WOW” (Dir. Beck & Grady Hall)

É o surrealismo puro pintando no clipe dirigido pelo próprio, em parceria com Grady Hall. Tem um cara meditando na rua, uma rosa com olho humano, crianças doidonas em uma balada e claro, Beck desfilando charme e estilo em um clipe dinâmico e perfeito para esta faixa estranha.

 

14. Blood Orange: “Augustine” (Dir. Devonté Hynes)

Pode haver uma imagem mais inspiradora do que Dev Hynes piruando em um telhado na hora mágica, num céu rosa que se esconde sobre o poema épico que é o horizonte da cidade de Nova York? Em outros lugares, vemos as cores da bandeira da Serra Leoa, um livro de estudos queer e a capa “After Trayvon” da revista Time. No Washington Square Park, os corpos se misturam com o equilíbrio de uma pintura renascentista. O vídeo é uma oração sobre dor e resiliência. E também um lembrete de que, por mais feio que seja o mundo, um bom dia na cidade é medicina eterna.

 

13. Kanye West: “Famous (Unofficial Official Video)” (Dir. Aziz Ansari e Eric Wareheim)

No clipe oficial, Kanye fez uma peça de arte pretensiosamente provocativa mas totalmente monótona sobre celebridade. Mas aí os humoristas Aziz Ansari e Eric Wareheim fizeram um video muito melhor. Os dois dançam nas ruas da Itália, jogando os corpos e mexendo os lábios de forma que ilustra perfeitamente a exclamação bacana que vem junto com infâmia: “I Made This Bitch Famous”!

 

12. Radiohead: “Burn the Witch” (Dir. Chris Hopewell)

Em meio a um ano marcado pelo Brexit e Trump, a banda usou esse video para comentar sobre as ramificações assustadoras do crescente pânico nacionalista em todo o mundo. Os paralelos são claros pelo panorama que a banda e o diretor Chris Hopewell retratam neste clipe de stop-motion, que dá boas-vindas aos telespectadores em uma aldeia inglesa “idílica” com fogo e sacrifício humano. Alerta de Spoiler: as coisas não terminam bem.

 

11. Lil Yachty: “1 Night” (Dir. Glassface and Rahil Ashruff)

Há um comentário do YouTube sobre este clipe que resume perfeitamente: “este vídeo musical foi feito com filtros do Snapchat”. Isso não é literalmente verdadeiro, mas parece possível no futuro próximo que Snapchat realmente encontre uma maneira de criar uma ferramenta que possibilite a criação de clipes incríveis como este de Lil Yachty.

 

10. ANOHNI: “Drone Bomb Me” (Dir. Nabil Elderkin)

Naomi Campbell chora em meio ao caos no clipe de “Drone bomb Me” de ANOHNI (antes conhecido por conhecido pelo projeto Antony and the Johnsons). É uma produção simples do diretor Nabil mas cativante.

 

09. Grimes: “Kill V. Maim” (Dir. Claire Boucher and Mac Boucher)

Os clipes da Grimes são sempre inspiradores por sua grandeza crua. Aqui, Claire Boucher supera qualquer expectativa com um um thriller fantástico, com um grupo heterogêneo de personagens loucos de visual incrível em um metrô de Montreal. Tem um anjo escuro enjaulado, um dançarino místico e moderno, rituais de sangue. Eles saem de um carro rosa alucinante. É um apelo surreal na qual a lógica não se aplica.

 

08. Kendrick Lamar: “God Is Gangsta” (Dir. Jack Begert and the little homies e PANAMÆRA)

Lamar é uma figura demoníaca neste clipe de sete minutos, que combina duas faixas de Pimp a Butterfly em um olhar contundente e lacerante sobre pecado e tentação. Abrindo com “U”, Lamar se contorce como um homem possuído. No final, ele está submerso em uma piscina de batismo, mas sua angústia não é lavada. “For Sale” faz com que ele conheça Lucy, a encarnação satânica de Butterfly. Kendrick mais uma vez prova que sabe o que quer com seus clipes incríveis.

 

07. Kanye West: “Fade” (Dir. Eli Linnetz)

O videoclipe aparentemente inovador, chama a atenção pela coreografia impecável de Teyana Taylor e pelas mensagens subliminares que podem ter fundamento bíblico. A coreografia e ambiente é inspirado no filme Flashdance e em Janet Jackson no clipe “The Pleasure Principle” enquanto o final bizarro tem um que de “Thriller” de Michael Jackson. Ou seja, não há nada que não vimos anteriormente ao não ser o fisico incrível de Taylor. Ainda sim, é um clipe diferente para os padrões atuais.

 

06. Frank Ocean: “Nikes” (Dir. Tyrone Lebon)

Frank Ocean lançou um dos melhores álbuns do ano, Blonde. “Nikes” o primeiro single ganhou um clipe que crítica as armadilhas do hedonismo materialista, com referência freqüente aos tênis Nike, ouro brilhante/glitter e fantasias do prazer. Um primor de clipe.

 

05. Solange: “Cranes in the Sky” e “Don’t Touch My Hair” (Dir. Alan Ferguson e Solange Knowles)

Estas peças visuais luxuosas da irmã de Beyonce, elevam algo bastante incomum no campo dos videos musicais: a quietude. Solange e seu marido Alan Ferguson criam um desfile magnifico e hipnotizante de imagens delicadas de mulheres e homens negros. Como as letras de “Cranes in the Sky” sugerem, manter-se ocupado não é necessariamente a melhor cura para a solidão – abrandar e descobrir o próprio poder, por outro lado, pode ser uma sutil declaração de controle.

 

04. Radiohead: “Daydreaming” (Dir. Paul Thomas Anderson)

“Daydreaming” veio carregado de muito significado oculto e precisa de tanta explicação, que a direção de Paul Thomas Anderson o tornou mal feito ou hermético demais. Ainda assim, tem bons momentos.

 

03. Jamie xx: “Gosh” (Dir. Romain Gavras)

Romain Gavras, o diretor por trás de “Born Free” e “Bad Girls” da M.I.A., especializou no tipo de video musical que faz você pensar: como diabos ele fez isso? Com “Gosh”, não é diferente: ele usa o hino lento de Jamie xx para trilha sonora de um épico desorientador que se assemelha a uma cerimônia de abertura das Olimpíadas em um universo alternativo. Centenas de meninos asiáticos marcham e dançam em sincronia através das ruas de Tianducheng, na China, uma cidade construída como uma réplica de Paris, com a sua própria Torre Eiffel e os Campos Elísios. A estrela magnética do video, Hassan Kone, é um jovem albino, de 17 anos, que Gavras utiliza como um estranho em uma terra muito estranha. O clipe inteiro foi feito sem CGI ou efeitos especiais. Apenas um monte de pessoas e um monte de idéias loucas.

 

02. David Bowie: “Lazarus” (Dir. Johan Renck)

Quando este vídeo saiu, a interpretação que tínhamos era do artista lidando com um lado sombrio. Alguns dias depois, David Bowie morreu. E então, este vídeo ganhou novos significados: uma visão da morte de um homem que sabia que estava morrendo. Não dá pra saber exatamente o significado total de “Lazarus”, mas assim como tudo que Bowie faz vira lenda, a sua morte ficou eternizada num clipe magnifico.

 

01. Beyoncé: Formation (Dir. Melina Matsoukas)

Um clipe absurdamente poderoso, que coloca toda a conversa transcendente de Beyoncé num contexto de séculos de subjugação e opressão e resiliência. É um clipe feito por um gênio cultural. De alguma forma, continuará a importar ainda mais.

 

João Paulo Porto

Criador do site 1001 Videoclips e apaixonado por The Smiths.