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Para Ver Antes de Morrer: #178. O Rappa | A Minha Alma (a paz que eu não quero)

Para Ver Antes De Morrer | 21 dez 12 - por João Paulo Porto
O-Rappa

Sempre cheio de energia, O Rappa criou um som único que logo conquistaria todo o público brasileiro que elogiou sua visão social e a coragem de denunciar as inúmeras injustiças sociais que ainda hoje assolam o pais. Finalmente chegou o herói e esse herói vinha nos subúrbios.

image11Em 1999, chegou a vez da aclamação nacional e o mega estouro com Lado B lado A, uma enxurrada de críticas sociais de cunho popular que denunciavam toda a sujeira escondida e passava um rodo na consciência nacional. O disco é um belíssimo registro digno de uma banda que nunca se vendeu ao sistema e com certeza, pode facilmente entrar no seleto grupo dos grandes nomes da música brasileira.

Os grandes destaques deste álbum ficaram com as energéticas “O Que Sobrou do Céu”, “Me Deixa” e a excelente e talvez sua melhor composição: “A Minha Alma (A paz que eu não quero)”, todas compostas por Marcelo Yuka, que por ironia do destino, se tornou mais uma vítima da violência urbana, após tentar evitar um assalto, foi baleado e ficou paraplégico. Com essa música, O Rappa podia olhar no espelho e dizer: Meu Deus, eu fiz isso?

A mesma canção recebeu um videoclipe considerado um influente direto de Cidade de Deus, o premiadíssimo filme de Fernando Meirelles de 2002. Foi filmado em preto e branco e fala sobre um garotinho que sofre a violência urbana. Um trabalho de forte impacto nacional.

clipe_o_rappaO clipe nos mostra aos poucos a rotina de um dia comum numa favela do Rio se transformar em uma guerra civil, revoltando a sociedade local. A historia do garotinho que usa óculos gigantes que acompanha os amigos para descer do morro mas assiste perplexo eles serem massacrados pela polícia após serem confundidos com ladrões.

Repleto de imagens potentes e perfeitamente elaboradas, juntamente com uma fotografia e edição de imagens muito além do estilo audiovisual da época, o vídeo cria – emocionalmente – um efeito contrário ao que se esperava e foca no racismo e no preconceito contra negros. O diálogo entre um jovem e o garotinho, que abre o clipe – Qual vai ser da gente, Gigante? – “Prá praia” é inesquecível.

Dirigido por Kátia Lund, Breno Silveira e Paulo Lins, o projeto deve-se muito aos atores mirins do grupo social “Nós do Morro” , fundado em novembro de 1986, no Morro do Vidigal, Rio de Janeiro. Criado pelo ator e jornalista Guti Fraga que de lá foi estrelado o garotinho Ramon Francisco, então com 4 anos, o ator Jonathan Haagenseno, o mais velho do grupo e o ator Rubens Sabino, o garoto envolvido pela PM que depois gera a maior revolta popular.

BRWMB0700420_640x480_01O resultado conquistou a opinião pública e de crítica e foi um sucesso estrondoso no panorama audiovisual do Brasil. Hoje é considerado um clássico absoluto e também o relato de uma sociedade que ainda sofre os males de uma política que tem muito o que aprender. A produção se tornou o maior premiado em uma única edição no MTV – Video Music Brasil de 2000, com os prêmios de Clipe Do Ano, Escolha Da Audiência, Rock, Direção, Fotografia e Edição. [LINK]

Direção: Kátia Lund, Breno Silveira e Paulo Lins | Ano: 1999

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths