Mostre Seu Clipe: Muita sensibilidade e representatividade no clipe de “606 On Fire” da banda Prume

Cenário Nacional, Mostre Seu Clipe | 11 dez 18 - por João Paulo Porto

 

Unindo elementos da música eletrônica, do pop e do indie rock em uma mistura contemporânea, a banda recifense Prume lançou um single de bastante destaque nos streamings (The Life I Seek”). Seu som é contagiante. E o clipe. olha, vou confessar que este clipe é muito bom. Ele é ágil, dinâmico e muito bonito. Além disso, ele passeia com o público LGBT com muita sensibilidade e representatividade. E não cansa, como muitos clipes nacionais que eu vejo por aí. Saca só: 

Ah, e ainda conversamos com o diretor Helder Tavares sobre os bastidores da produção e sobre como é ser diretor de clipes no Brasil. O papo rolou através de e-mail. 

1001Videoclips: Cara, eu gostei muito do clipe. Ele é ágil, dinâmico e muito bonito. Além disso, ele passeia com o público LGBT com muita sensibilidade e representatividade. E não cansa, como muitos clipes nacionais que eu vejo por aí. Onde você buscou influências? A cultura de rua de Recife te influenciou na gravação do clipe? 

Helder Tavares: Acho que as influências estão em toda parte. Não houve um modelo ou referência específica em audiovisual.Vem de tudo que se consome e a  ideia surgiu buscando dar identidade visual ao que a banda trazia como proposta musical.

E como surgiu a ideia do clipe?

HT: Surgiu como parceria para uma marca de cosméticos do Recife, a  Contém Glitter, que lançou a proposta e tinha uma referência de lugar a ser usado. No caso, essa antiga fábrica da cidade. Acabou sendo um branded content em parceria com a banda. Trabalhamos a partir desse briefing, acrescendo o que cabia no conceito da marca e da banda.

E como foi o processo de produção?  Você participou de tudo?

HT: Sim. Estive participante de todo processo de produção.

O clipe foi lançado há um ano. De lá pra cá, muita coisa mudou para você?

HT: Algumas janelas se abriram, mas Recife ainda é uma cidade que não insiste muito no videoclipe, infelizmente.

Por trás do movimento por diversidade, liberdade de expressão e resistência, você acha que o clipe tem algo a acrescentar?

HT: Absolutamente. Era uma premissa da marca, existia esse briefing e creio que conseguimos colocar esse conceito no material.

Temos visto um aumento das atitudes fascistas, e a arte sendo atacada como num flashback da ditadura. Você acha que a arte no Brasil está correndo perigo? 

HT: Acredito que sim. Vivemos uma desvalorização absurda em torno do trabalho do artista, mas o nosso trabalho também ataca esse regime excludente. É um ato de sobrevivência.

Você também já dirigiu outros clipes? Pode me contar um pouco de sua trajetória como diretor?

HT: Sim. O Miocárdio, do Barro. E essa trajetória é ainda curta. Foi nas sendo por estar ali na vontade de fazer. Não houve uma intenção clara de dirigir os clipes. Era apenas uma vontade imensa de fazer algo em que me visse.

Me fala um pouco do mercado audiovidual de Recife. É uma cidade promissora? 

HT: Sim. Há uma produção constante no audiovisual com grande percentual voltado para o cinema, que acaba puxando o crescimento de outras linguagens audiovisuais. 

Percebi no seu site pessoal, que você tem uma queda pela fotografia também. Adorei os ensaios Singles e Microcefalia. Me conta mais sobre sua carreira de fotógrafo. 

HT: Foi onde tudo começou. Continuo me creditando como fotógrafo que passeia por vezes em outros setores. Hoje, passeio bastante pelo universo do retrato, algo que tem me desafiado muito e me trazido resultados felizes em meu trabalho.

Entre a fotografia e o audiovisual, o que mais te dá paixão?

HT: Acho que o fazer imagem me dá muito tesão. Sao coisas completamente distintas em minha cabeça em seu feitio, quantidade de pessoas envolvidas e resultados, mas não consigo hoje delimitar onde tenho que estar. Vou as construindo com a mesma vontade.

João Paulo Porto

Criador do site 1001 Videoclips e apaixonado por The Smiths.