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Para Ver Antes de Morrer: #231. Massive Attack | Teardrop

Para Ver Antes De Morrer | 30 abr 14 - por Thiago Murta Ferreira

O barulho externo desaparece quando o cordão umbilical aparece na tela, deixando ouvir uma canção das mais puras e volúveis feitas por uma percussão eletrônica. A fase Trip – Hop do Massive Attack em sua magnitude, fazendo uma trilha para um feto em desenvolvimento, e servindo um ritmo de tempo lento para um útero materno.

1062507-jpeg_preview_largeNo videoclipe o batimento cardíaco do bebê serve como percussão, é a forma de ligação das emoções, transpondo o som com a imagem, fazendo pequenos feixes de luz que iluminam um pouco dessa escuridão. Tem um feto humano se projetando para o mundo não explorado. A gente acompanha a música leve, tranquila, com impressão que se fosse a própria mãe cantando uma canção para o pré-nascido.

Essa impressão intercala os gestos labiais do bebê imitando a última palavra do primeiro verso. ‘Breath’.

Os olhos dele estão se abrindo neste momento. Época de dezoito semanas de gestação. Ao decorrer do tempo, irá se tornar um bebê desenvolvido. Todos os fluidos e os fragmentos da placenta caem na direção da bolsa invólucro, sendo iluminado gradativamente de acordo com o tempo.

Para ser feito esse videoclipe, o diretor Walter A. Stern precisou de muita paciência e dedicação para posicionar a câmera em uma caixa de fundo verde (chroma-key) com marcações de pontos azuis. Técnica mundialmente conhecida como CGI (Imagens Geradas por computador). O ambiente de produção era um quarto simples com poucas luminárias apontadas no fundo da caixa que continha o boneco modelado. Nessa técnica depois foi elaborado a arte direto no computador, fazendo o útero e o líquido amniótico de forma digital. A produção foi feita pela Towerbridge Studios em Londres.

Os modelos das fases gestativa do bebê se desenvolvendo, levaram alguns meses de elaboração, porque além de pesquisas dos estados da gestação, também teve que elaborar os fetos e o bebê em técnica de animatronic, ou seja, bonecos feitos de látex e movidos por controle remoto.massive-attack-teardrop

A fotografia é obscura dando o ar de pura claustrofobia, uma sensação interminável para o nosso personagem. Sempre em leves movimentos do corpo, focalizados por uma técnica chamada de E.C.U (Extreme Close-Up), dando a clareza das suas expressões faciais e os movimentos das mãos. – Tem uma cena que ele sorri para nós. ^^

No fim tiros de luzes atacam o nosso pequeno indefeso, mostrando lá de dentro toda a fragilidade, sem compreensão alguma nos impactos externos.  Até que o silêncio termina e mais um momento de espera aparece nas nossas mente para esse bebê que agora está por volta de oito a nove meses.

Esse vídeo é um exemplo claro de amplificação de camadas para dar um novo significado para as letras já existentes. Um videoclipe contemplativo com elementos abstratos que trás consigo o ato da interpretação de cada espectador. O diretor Brian Singer inseriu a música nas aberturas de todas as temporadas de HOUSE M.D. série médica de grande sucesso [LINK]

Capturar6A voz da nossa interprete Elizabeth Fraser, foi o diferencial e liga uma analogia particular ao ponto do som para o cordão umbilical. Uma voz doce e feminina demostrando-o total controle e segurança.

Para ser a primeira interprete dessa música na época, o grupo chegou a cogitar a Madonna para cantar essa faixa, porém os membros atuais Robert “3D” Del Naja e Grantley “Daddy G” Marshall, não apoiaram a ideia do ex-integrante Andrew “Mushroom” Vowles. Resultado:  Elizabeth Fraser que não desapontou em nada sobre a obra.

Frustações para a cantora pop e o desfecho do trio de Bristol. Vowles fez a sua ultima contribuição nesse álbum “Mezzanine” de 1998, alegando diferenças criativas. Ele só está creditado nas músicas incluindo “Teardrop”.

Não sabia ele que essa obra era considerada pela critica como o melhor álbum definitivo do Trip-Hop e por estar em inúmeras nas listas dos melhores álbuns de todos os tempos. “Mezzaline”, inclusive aparece no livro 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer. Um videoclipe magistral do diretor Walter A. Stern.

Diretor: Walter A. Stern | Ano: 1998

Thiago Murta Ferreira

Cursando em Turismo na (UNICID – SP), a sua disciplina que mais se dedica é área de Artes e Museologia. Na qual, pretende entrar na carreira de Design em breve. Desde criança assistia e anotava os seus videoclipes interessantes em um caderno. Um bom pretexto que se dedica no site é sobre videoclipes artísticos, do Rock ao Eletro underground dos anos 90 e até os dias de hoje. Sempre procurando as curiosidades relevantes das produções audiovisuais.