Para Ver Antes de Morrer: 13. Madonna | Like a Prayer

Anos 80, Para Ver Antes de Morrer | 20 fev 18 - por João Paulo Porto
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Madonna, a rainha do pop, chegou ao ápice dos escândalos com um videoclipe tão polêmico quanto o evangelho segundo Jesus Cristo, de Saramago. O responsável por tanta polêmica é o ultrajante videoclipe de “Like a Prayer”, um dos maiores sucessos da cantora que estourou no finalzinho da década de 80. 

Os principais motivos na época foram as cenas em que Madonna está dançando de lingerie diante de cruzes ardentes, quando a estátua de São Martinho ganha vida e a beija, e quando ela manipula a adaga e ao abrir as mãos, surgem feridas do estigma. No entanto, ela não foi a primeira a se masturbar com um crucifixo (quem fez isso primeiro foi Linda Blair em O Exorcista). Madonna pode ter ido longe demais, mas ela sabia o quão longe podia ir naquele momento em sua carreira.

 


“Madonna apreciou a controvérsia, e eu também. Eu cresci no Arkansas, numa época em que houve muita tensão e violência racial, e isso foi muito ofensivo para mim. Uma das razões pelas quais usei uma cruz em chamas em “Like a Prayer” foi forçar as pessoas a lidar com essa imagem com a qual cresci”. – Mary Lambert

 




 

A igreja católica que se sentiu extremamente ofendida.  O Vaticano condenou o vídeo e outros “valores familiares”. Grupos religiosos protestaram contra a transmissão e por pressão A MTV decidiu banir o clipe da sua programação. A Pepsi, que usou a canção para um comercial que só foi exibido duas vezes nos EUA, uma vez durante a transmissão global do 31º Grammy Awards em fevereiro 1989 e novamente uma semana depois durante o The Cosby Show, decidiu cancelar o contrato milionário de cinco milhões de dólares para não sujar sua imagem.

Com isso o misticismo sobre a pessoa Madonna só aumentava. Incrivelmente o single “Like a Prayer” vendeu mais de quatro milhões de cópias e o álbum cerca de 14 milhões. A Pepsi perdeu o contrato mais teve que ressarcir a cantora com os dólares do contrato e sua fama cresceu a ponto de ser eleita a artista da década pela revista Time.

 


“Eu quero ser o símbolo de algo, isso é o que acho que é vencer, quer dizer que você significou alguma coisa. Até onde eu sei Marilyn Monroe conquistou o mundo… ela significou algo” – Madonna


 

E o mais interessante de tudo isso é que Madonna sempre soube utilizar-se de escândalos para beneficio próprio e sabia como fazê-lo perfeitamente, na medida certa, de modo que atiçasse a curiosidade masculina e ao mesmo tempo provocasse um sentimento de libertação feminina. Ela sabia agradar a todos, desde a sua gravadora até os mais inóspitos fãs. Depois do videoclipe, ela se tornou a dona da banca.

Nos anos seguintes senhorita Ciccone causaria muitas polêmicas com outros videos escandalosos, masturbações no palco e no cinema (no filme corpo em evidencia, com William Dafoe), no documentário Na cama com Madonna e um livro pra lá de polêmico (Sex). Entretanto nada supera esse estrondoso sucesso, um videoclipe despretensioso, feito na medida para derrubar a imagem de garota material e transformar Madonna em uma ultra-super-mega-hiper estrela da constelação pop e mostrar aos homens que ela pode abrir um pote de ervilhas sozinha. 

Diretora: Mary Lambert | Ano: 1989

João Paulo Porto