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Para Ver Antes de Morrer: #146. M.I.A | Born Free

Para Ver Antes De Morrer | 31 maio 12 - por João Paulo Porto
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“Born Free” é uma canção de protesto belamente agressiva e estruturada sobre um videoclipe/curta merecedor de toda a polêmica. E a autenticidade de sua composição ainda não se comparou a nada já feito antes.

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A cantora do Sri Lanka, M.I.A. gravou a canção em forma de protesto contra os genocídios acontecidos em seu país, que foram notícia no mundo todo após caírem na internet vídeos caseiros de filmagens de pessoas sendo executadas pelo próprio governo, no ano de 2009.

O diretor Romain Gavras conta a história deste genocídio através da óptica de um grupo de soldados furiosos que aprisionam ruivos e depois os assassinam cruelmente em um campo repleto de minas.

A ignorância, ingenuidade e fragilidade são delicadamente minadas à medida que eles são levados para o beco sem fim. Forçados a fugir, de uma prisão que os levará a morte, eles correm desesperados a espera de uma última oportunidade de sobrevivência, no meio do caos do terror. Ao longo desse processo, todos são abatidos covardemente pelos soldados e no final, resta apenas a poeira que acompanha a atmosfera do video.

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Bastidores da gravação com o diretor Romain-Gravas

O clipe retrata como a força militar, a violência e brutalidade podem se reunir com uma ferramenta de opressão e turbulência política. M.I.A. e sua visão sobre o governo de seu país deixou bem claro neste trabalho, sua opinião como artista e como ser humano, sobre a repugnância do governo do Sri Lanka, um país que ainda sobre com a pobreza extrema e a falta de dignidade humana, demonstrando o quão horrível pode ser o ser humano e como a superioridade humana pode se tornar estupidamente opressora e devastadora, causando mortes de inocentes, corrupção e a dissimulação, fatos jamais revelados pelas autoridades locais.

Com um roteiro ágil e original e elementos de cena estonteantes e perfeitamente equilibrados, sem parecerem apelativos demais nem explícitos ao ponto de constranger (apesar das cenas de nudez serem um pouco incomodas, mas sem estarem deslocadas), o videoclipe prima pela exuberância visual e pelas ótimas atuações. Um trabalho forte e chocante, mas absolutamente eficaz, capaz de causar sentimentos diversos para quem assiste. Para M.I.A., foi apenas a forma mais apropriada de expor sua dor sobre o sofrimento de seu povo.

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O videoclipe teve uma recepção crítica positiva, mas foi proibido de ser exibido no YouTube nos EUA e Reino Unido, por causa da forma como foi filmado e as fortes imagens de violência gratuita e nudez.  Mesmo assim ele figurou na posição número 2 na lista da revista norte americana TIME do Top 10 dos vídeos mais controversos de todos os tempos.

Algumas pessoas nasceram para nos mostrar o quão belo pode ser o ser humano, mesmo no meio de tanta desesperança.

Diretor: Romain Gavras | Ano:  2010

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths