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Desconstruindo videoclipes: Lana Del Rey – “High By The Beach”

Desconstruindo Videoclipes | 30 ago 15 - por João Paulo Porto
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Neste post, fazendo uma breve análise da poética da letra de “High By The Beach”, foram colocados alguns comentários sobre como seria o clipe da canção. 

Eis um trecho do que foi dito sobre como seria a performance no clipe de “High By The Beach”:

O videoclipe, no entanto, pelo trecho divulgado, deve trazer – imageticamente falando -, uma performance que remete a parte soft da canção que é exatamente sua melodia. Além disso, a capa do single pré-formata todo o universo no qual a canção ganhará rosto: Lana e o diretor do clipe devem perceber uma roupagem diurna e solar.

De fato, o universo de “High” é minimalista e claro. Há predominância de azul e branco em contraste com o preto do helicóptero que aparece em cena. Todo o cenário cabe na performatização imagética da melodia. Ainda foi falado que:

Quando for lançado, teremos noção se existem momentos de subversão em tons agressivos que fazem referência à poética da letra.

A agressividade do clipe de “High By The Beach”, como foi previsto, é norteada pela letra da canção, o que é perceptível nos momentos em que Lana aparece perturbada ou atira no helicóptero.

Dirigido por (mesmo diretor de Single Ladies), de cara, o videoclipe também subverte a letra da música: ao passo que Lana fala de um amor que não se concretiza, o clipe nos mostra toda a perseguição e desconforto de ter alguém na sua cola tentando tirar fotografias.

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Há uma coisa bastante interessante que pode ser dita sobre , principalmente a partir da cena aí em cima: por trás dos amores fracassados e choros e velas, Lana possui uma certa ironia que, se pararmos para pensar, não faz parte de romantismo puro, do amor pelo amor e dos sacrifícios que se faz em prol do que sentimos pelo outro. A força para superação das coisas que levam a artista a compor pode estar alocada nessa personalidade irônica.

Além disso, outro trecho diz assim:

Em “High”, é tudo muito molinho, é Monange em bunda de bebê, iogurte com mamão e aveia, lençol de seda em pele esfoliada.

Vocês querem coisa mais molinha e manhosa do que isso aí embaixo?

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Só pudim.

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ENREDO DO CLIPE

Com a Musa Alternativa não seria diferente quanto se trata de fama: as vezes, o assédio cansa. Como fica claro no clipe, “High By The Beach” mostra resolvendo seu problema com um paparazzo que se deu ao trabalho de pegar um helicóptero e ir até a casa dela tirar umas fotos. Coisa muito natural. Lana sempre foi um amor de pessoa com repórteres, fotógrafos, fãs e até alguns mercenários. A cantora é frequentemente parada por pseudo fãs que pedem para que ela autografe fotos e discos que posteriormente são vendidos na internet. Não preciso nem dizer que com uma assinatura do artista, o preço tanto de CD’s e materiais de divulgação, vão – apesar da crise – parar nas alturas.

O vídeo foi gravado em residência própria localizada na cidade de Malibu – Los Angeles, o que guarda um quê biográfico com a proposta do clipe: Lana comprou a casa por 10 milhões reais para.. adivinha: fugir da imprensa. A informação é do site Dailymail.

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Conhecendo a obra de Del Rey e sua relação com a fama, existem alguns momentos no vídeo onde ela até se mostra amigável e performando a canção juntamente com aquilo que ela supostamente odeia. É assim que pode ser interpretada a tomada onde Lana aparece na janela, cena que – levando em consideração a inexistência de efeitos especiais e aparente falta de uso de protetor de ouvido – deve ter sido um pouco difícil de ser gravada.

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Outra questão que também torna o clipe uma obra difícil de ter sido concebida, apensar do ar relativamente minimalista, são as tomadas em plano sequência. Plano sequência, vocês sabem: errou, tem que fazer novamente. Ainda sobre a técnica, e neste caso não tenho como provar, são os usos de cenas que deram errado como é o caso da tomada onde uma parte do vestido de Lana se prende num corrimão de madeira.

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Em “High By The Beach”, há um certo diálogo com a era Born To Die e suas paisagens oníricas e claras, saindo um pouco da névoa do Ultraviolence e suas guitarras distorcidas. O mundo de sonhos em “High” é construído a partir de questões que levaram a piadas, como por exemplo o fato do cenário estar desmobiliado ou da arma que não cabe dentro da capa para violão. Trocando em miúdos, tudo o que é incomum ou impossível, é pertinente e possível dentro do onirismo. Não preciso nem mencionar o final do clipe, aliás, ao que parece, o cenário “limpo” do clipe prepara o espectador para o fim catastrófico: são as chamas de The Lonely Queen voltando. É uma nostalgia de pouco tempo, de Lana pra Lana e assim, para os fãs.

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths