Para Ver Antes de Morrer: 0012. Johnny Cash | Hurt

Anos 2000, Para Ver Antes de Morrer | 20 fev 18 - por João Paulo Porto

Clipe belamente dirigido por Mark Romanek, mostra os conflitos finais de uma lenda da música country.

No final da sua vida Johnny Cash gravou um disco de covers, que foi muito bem recebido pela critica e público e contém momentos brilhantes de beleza e tristeza. Mas foi com “Hurt”, cover da banda de rock industrial norte americana Nine Inch Nails, que mais se destacou. 

Embora a música seja inegavelmente poderosa, seu impacto aumentou ainda mais por causa do videoclipe musical excepcional, que mostra Johnny tocando sua guitarra em sua casa e refletindo sobre o passado. É um daqueles clipes verdadeiramente únicos e provavelmente lhe dará calafrios, se não o levar às lágrimas.

Mas, assim como o excelente desempenho de Cash, havia outras forças criativas que tinham que se unir para tornar o sonho possível. Profissionais da indústria da música, como Trent Reznor, Rick Rubin e Mark Romanek, desempenharam papéis cruciais na criação de música e vídeo.

 


“Trent Reznor nasceu para escrever essa música, mas Johnny Cash nasceu para cantar, e Mark Romanek nasceu para filmar.” – Bono


 

Mark Romanek ficou encarregado da direção. Ele já havia produzido vídeos fabulosos para artistas como Madonna, Beck e Lenny Kravitz, e implorava a Rubin por uma chance de trabalhar com o Cash

Mark queria, desde o início, capturar a essência, contrastando o cantor mais jovem e arrogante com o homem cada vez mais frágil que havia se tornado (o cantor já estava sofrendo um grave declínio de saúde e morreria sete meses depois do video ser feito). Ele também intercalou as filmagens de Cash com imagens de decadência, como frutas apodrecidas.

 


Quando Reznor recebeu uma cópia do vídeo, ele mudou completamente sua opinião sobre a versão de Cash de sua música, descrevendo-a como um “trabalho incrivelmente poderoso”. 


 

Grande parte da filmagem aconteceu no museu “House of Cash” em Nashville. O prédio serviu como casa de Cash por trinta anos, mas agora estava em um estado de abandono avançado. O cenário inspirou Romanek a usar a casa como uma metáfora da diminuição da saúde e de sua vitalidade. O cantor concordou, demonstrando coragem artística e pessoal no processo. Grande parte da filmagem que mostra o Cash mais novo foi encontrado por Romanek no quarto do arquivo no “House of Cash”. Infelizmente, o edifício desapareceu completamente, destruído pelo fogo em 2007. 

O resultado final é um clipe sentimental onde sua eloquência e beleza o tornam um prazer duradouro. Não a toa recebeu o Grammy de clipe do ano. 

Direção: Mark romanek | Ano: 2004

João Paulo Porto