Anúncio com Código

Grandes Diretores de Videoclipes: Romain-Gavras

Diretores | 31 jul 14 - por João Paulo Porto
5d0f675e05e920a92625e27b4b8e2b2c
l

Filho de Costa-Gavras se sente feliz por estar pregando ódio em todo o mundo com seus clipes controversos.

tem um talento especial para provocar a ala mais conservadora. Sua obra audiovisual Stress do , não só ganhou um monte de prêmios, como realmente convenceu algumas pessoas de que o diretor francês tinha filmado uma onda de crimes real. Para Born Free da cantora , também conseguiu virar a mesa ao abastecer a tela de ruivos sendo perseguidos e assassinados brutalmente. Poucas pessoas entenderam a piada, apesar de toda a exposição na mídia revelar o lado positivo dos clipes.

Romain começou a carreira de cineasta influenciado pelo pai, o também diretor de cinema político grego-francês Costa Gavras. Em 1995 ele fundou na França a produtora de curtas Kourtraimé (quando tinha apenas 14 anos de idade). Vários tipos de curtas foram produzidos no período de 10 anos até romper com as barreiras do tradicional no espetacular “Signnature” do DJ Mehdi

Em “The Age Of The Understatement”, da banda The Last Shadow Puppets (formada por Alex Turner do Arctic Monkeys, Miles Kane do The Rascals e James Ford, do Simian Mobile Disco), Gravas utiliza diversos tanques de guerra para promover uma discussão sobre o poder da igreja. No entanto, o trabalho que revelou o nome de Gravas para o mundo foi a sua feliz colaboração com o Jus†ice em “Stress”, de 2008. 

O clipe retrata de forma perturbadora, uma gangue de garotos negros com jaquetas de couro estampadas com o simbolo † (que também é o simbolo do Jus†ice) perambulando pelas ruas de Paris, arrebatando bolsas, vandalizando carros, quebrando câmeras de turistas e agredindo pessoas inocentes enquanto uma câmera amadora capta as expressões de assustados das vitimas. A cereja do bolo reverberou de forma tão grande que o próprio diretor foi acusado de promover a violência gratuita e o preconceito. Por outro lado, o sucesso do clipe deu ao diretor a oportunidade de documentar a turnê do duo francês nos EUA, que acabou se transformando no doc “A Cross The Universe”. Desde então, o Gavras tem trabalhado com M.I.A. nos clipes de “Born Free” (2010) e “Bad Girls” (2013). 

Romain-Gavras-and-MIA

Romain-Gavras e MIA tirando onda

A combinação perfeita entre os dois determinou o rumo violento de “Born Free”. MIA, sempre desbocada e alheia a opinião pública deu toda a liberdade que Gravas precisava para produzir um dos clipes mais violentos e assustadores de todos os tempos. O clipe conta a história de um genocídio através da óptica de um grupo de soldados furiosos que aprisionam ruivos e depois os assassinam cruelmente em um campo repleto de minas. O videoclipe teve uma recepção crítica positiva, mas foi proibido de ser exibido no YouTube nos EUA e Reino Unido, por causa da forma como foi filmado e as fortes imagens de violência gratuita e nudez.  Mesmo assim ele figurou na posição número 2 na lista da revista norte americana TIME do Top 10 dos vídeos mais controversos de todos os tempos.

Para “Bad Girls” o diretor foi mais além na estética e promoveu um desfile de imagens alucinantes de carros em movimento no deserto do Saara Marroquino, repleto de mulheres vestidas em inspiração árabe. 

De 2010 para cá, ele também dirigiu seu primeiro longa-metragem, Notre Jour viendra (Our Day Will Come) utilizando-se da mesma estética visual e linguagem artística. Produziu campanhas publicitárias para a marca Adidas (estreladas por Messi e Katy Perry) e Yves St. Laurent

Romain-Gavras pode ser considerado um diretor bissexto, com pouquíssimas obras produzidas, porém, de impacto profundo. Em uma época em que os videoclipes retratam mais do mesmo, Gavras parece fazer a diferença. “Tenho guardado tantos comentários de ódio de todo o mundo”, diz ele, com um sorriso diabólico. Esse ódio, o diretor carrega com orgulho; e com o mesmo orgulho ele afirma: “A influência do meu pai se deu mais sobre o que fazer com o cinema do que sobre como fazer cinema, ou seja, mais sobre conteúdo do que forma. Seria um desperdício total se eu tivesse me prostituído dirigindo videoclipes para a Lady Gaga“.

De um modo mais geral, a obra completa de Gavras conseguiu oferecer uma fantasia que almejava esquentar o debate sobre vários assuntos; de política, ao preconceito e racismo, em detrimento do entretenimento puro e simples que a maioria dos diretores buscam em seus trabalhos. Ele conseguiu expressar visualmente sua criatividade de maneira completamente diferente de outros diretores de videoclipes atuais. 

B4

Para saber mais:

Entrevista para o site Vice

http://thecreatorsproject.vice.com/creators/romain-gavras

Canal oficial do diretor no Vimeo

https://vimeo.com/gavras

 

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths