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Fotos e review: Morrissey em Dublin

Shows | 04 dez 14 - por João Paulo Porto
Morrissey ao vivo em Dublin. Foto: João Paulo Porto

Steven Patrick Morrissey é uma figura que parece rir por último. Em quase 30 anos de carreira solo, desde que havia deixado a melhor banda de rock dos anos 80, The Smiths, o cantor nunca havia passado por um momento tão turbulento quanto nesses últimos anos. Foram vários shows cancelados devido a uma úlcera, um tratamento de câncer, e mesmo assim, ele teve tempo e dedicação para escrever a autobiografia fascinante (que estou lendo atualmente), que é best-seller no Reino Unido e lançar seu o décimo álbum de estúdio que surpreendeu a todos pela qualidade e originalidade.

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Morrissey em Dublin, Irlanda. Foto: João Paulo Porto

Havia dois anos que Morrissey não se apresentava na cidade natal de seus pais – Dublin – cidade onde segundo sua autobiografia, era muito mais alegre e festiva que sua cidade natal, Manchester. Eventualmente, o retorno ao vivo, neste primeiro de Dezembro, era muito aguardado pelos irlandeses que queriam muito contemplar a genialidade do cantor ao vivo.

A abertura com o empolgante hino dos Smiths ‘The Queen is Dead’ leva o espectador a um mergulho em seu arsenal de ódio contra a família real, o governo inglês, a industria da carne e a gravadora que o demitiu três semanas após o lançamento do novo disco. A faixa acompanha uma foto da rainha Elizabeth mostrando o “dedo” pairando sobre o palco. O casal mais odiado pelo cantor, Príncipe William e Kate também não escapou do seu ataque mordaz e apareceu sob o título de “United King-Dumb” (algo como Rei Idiota Unido). Logo em seguida, Morrissey canta “Suedehead”, hit do seu primeiro álbum solo, Viva Hate de 1988.

Infelizmente, o show parte para uma promoção maçante do novo álbum e o que vimos é um desfile de músicas do World Peace Is None Of Your Bussiness. Morrissey falha ao não aproveitar hits de albuns anteriores como  ‘Irish Blood, English Heart” ou “First Of The Gang To Die”, por exemplo. Quando ele re-visita o The Smiths novamente, é para falar sobre os direitos dos animais. Antes de cantar a clássica “The Meat Is Murder”, o ativista dos direitos dos animais que gravou o álbum homônimo com sua antiga banda, em 1984, disse que estava satisfeito de ler relatórios da imprensa britânica na semana passada a respeito dos frangos contaminados. A apresentação acompanha um documentário forte intitulado From Farm to Fridge: The Truth Behind Meat Production (Da Fazenda Para o Frigorífico: A Verdade Por Trás Da Industria Da Carne). O cantor certamente encontrou novas maneiras de testar severamente uma audiência!

Foto: João Paulo Porto

Foto: João Paulo Porto

Com os dizeres “FUCK HARVEST RECORDS” nas camisetas dos integrantes da banda,  Morrissey alfineta a gravadora que o demitiu após ele reclamar publicamente de falta de apoio na divulgação de World Peace.

O bis de encerramento “Asleep” e “Everyday Is Like Sunday” sozinhos já valeriam o preço do ingresso. Se Morrissey reinou com seu velho discurso “eu contra o mundo” ao fornecer um show bastante equilibrado, não há dúvida de que estas canções vieram para fechar  com a mensagem a terra poderia ser um lugar absolutamente deslumbrante.

Morrissey ainda é uma artista brilhante que oferece vislumbres de sua genialidade musical.

SETLIST:

  1. The Queen Is Dead
  2. Suedehead
  3. Staircase at the University
  4. World Peace Is None of Your Business
  5. Kiss Me a Lot
  6. I’m Throwing My Arms Around Paris
  7. Istanbul
  8. Smiler With Knife
  9. The Bullfighter Dies
  10. Trouble Loves Me
  11. Neal Cassady Drops Dead
  12. Meat Is Murder
  13. Scandinavia
  14. Yes, I Am Blind
  15. Kick the Bride Down the Aisle
  16. Mountjoy
  17. Speedway/I Didn’t Know What to Do (Medley)
    (Gilbert O’Sullivan cover)

    Encore:

  1. Asleep
  2. Everyday Is Like Sunday
João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths