Para Ver Antes de Morrer: 24. Erikah Badu | Window Seat

Anos 2000, Para Ver Antes de Morrer | 27 fev 18 - por João Paulo Porto
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Lançado em 2010, o clipe de “Window Seat” da cantora norte-americana Erykah Badu, explora a injustiça, colocando-a em cena no assassinato de JFK. Badu explora eventos históricos, fantasia e religião para criar um clipe polêmico. 

O vídeo começa com Badu despindo-se lentamente enquanto caminha por uma rua em Dallas, Texas, em plena luz do dia, aos olhares perplexos e confusos de pessoas que acompanham a cena, incrédulos, pois a gravação é feita sem cortes e sem a permissão das autoridades. Ao chegar ao local onde Kennedy foi assassinado, ouve-se um tiro e ela cai no chão. Um liquido azul que simula sangue, escorre pela rua formando a palavra “groupthink”. Em seguida a câmera gira ao redor do lugar e de repente a cantora ressurge ainda nua, com uma peruca estranha que cobre seus seios.



A cantora disse em seu site oficial que a intenção do video era lançar um debate sobre a questão do groupthink, expressão que significa pensamento coletivo e que foi criada em 1952 pelo sociólogo e jornalista norte americano William H. Whyte.

Sobre as filmagens, Badu afirmou que ficou mais tensa e nervosa com a possibilidade da policia aparecer do que com o fato de ficar nua em público – “Estava concentrada durante a filmagem desse vídeo, e fazê-lo me permitiu vencer os temores e lentamente domá-los. Estava muito preocupada com os policiais para ter vergonha da minha nudez.”. 

A ousadia lhe rendeu uma baita dor de cabeça com a justiça texana, depois que várias queixas foram dadas a justiça local, de moradores locais que se sentiram profundamente ofendidos por Badu tocar numa ferida que parece ainda não ter cicatrizado: John Kennedy levou um tiro na cabeça em 1963 quando passava de carro pela praça Dealey, e seu assassinato provocou comoção nos EUA e no mundo. O local de sua morte é amplamente visto como um lugar sagrado. 

Na época, o vídeo suscitou uma discussão sobre seu teor.  Parte dos críticos acreditavam que de que forma alguma seria um desrespeito para com JFK. A blogueira Janet Shaw acusou Erykah Badu de ter enlouquecida. “Esse ato repugnante aconteceu em Dallas, perto da praça Dealey. Não é assim que uma artista decente deveria se comportar.”

Badu defendeu o vídeo, afirmando: “Eu acho que meu ponto foi mal entendido em todo os Estados Unidos da América”. Ela também disse que não estava fazendo isso para desrespeitar a memória de Kennedy, chamando-o de “um dos meus heróis” e “um revolucionário, um rebelde”. Ela continua dizendo que assim como Kennedy “eu não tinha medo de mostrar à América a minha verdade nua”.

Polemicas a parte, de fato, não parecia ser a intenção de Badu de desrespeitar a memória de um grande homem que foi JFK. Resta apenas apreciar um videoclipe ousado e provocador pela figura corajosa que é Erykah Badu.


João Paulo Porto