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Para Ver Antes de Morrer: #163. Don Henley | The Boys Of Summer

Para Ver Antes De Morrer | 07 nov 12 - por João Paulo Porto
Don Hanley msn

Don Henley foi o vocalista e baterista da lendária banda norte-americana de country-rock The Eagles (do amado clássico “Hotel California”). O californiano partiu para uma frutífera carreira solo nos anos 80 após a separação do grupo e assim como os seus ex-colegas de trabalho, Glenn Frey e Joe Walsh, obteve prestigio e sucesso em sua jornada solo.

Em seu repertório, está a emblemática “Boys of Summer”, um lamento tocante sobre os questionamentos do passado e um verdadeiro hino de sua geração. A inspiração veio, conta Henley, quando ele estava dirigindo perto de San Diego e um Cadillac top de linha da época – considerado status definitivo de poder da burguesia norte-americana – com um adesivo do Grateful Dead – uma banda hippie dos anos 70 famosa por defender o anti-stablishment – colado no vidro traseiro, ultrapassou o seu carro e Don, horrorizado com o que viu, se inspirou a compor a canção.
Superficialmente, a música parece falar sobre a passagem da juventude e a entrada da meia-idade, com o tema ‘verão do amor’, e de reminiscências de um relacionamento passado. Ou também pode significar a percepção de uma inevitável frustração causada pela destruição dos ideais que semeamos quando jovens.

“The Boys of Summer” alcançou o número 5 na Billboard Hot 100 onde permaneceu por cinco semanas. A canção também foi um sucesso no Reino Unido, alcançando o número 12 no UK Singles Chart. Henley ganhou o Prêmio Grammy de Melhor Performance Vocal Masculino para a música. “The Boys of Summer” também apareceu na lista da Revista Rolling Stone das 500 Maiores Músicas de Todos os Tempos.

O vídeo da música é uma peça de influência estética francesa dirigido por Jean-Baptiste Mondino. Filmado em preto-e-branco, mostra o personagem principal em três diferentes fases da vida (como um menino jovem, um adulto jovem e de meia-idade), em cada caso, relembrando a relação do passado. Isso é mostrado claramente, durante o trecho “Um pouco de voz dentro da minha cabeça, disse não olhar para trás, você nunca pode olhar para trás”, onde cada uma das três pessoas olham para trás. Estas cenas são intercaladas com as de Henley ditando as palavras da música durante a condução de um conversível. Henley dirige o carro com uma tela de projeção traseira.

Em sua conclusão, o vídeo utiliza o conceito de expor os melhores momentos do passado em projeções como, com uma expressão diferente, os fios da história são norteados e reorganizados de forma eficaz, resultado de uma manobra técnica de edição notável e competente. É um feito impressionante para a estética audiovisual da época e um exemplo clássico de um belo reflexo da realidade.

Toda a obra é uma junção bem sucedida de elementos audiovisuais intencionalmente incomuns, por estarem fora do que se vê normalmente nos videoclipes da época. Boa parte devido a competência e criatividade do diretor frances Jean-Baptiste Mondino, que optou por uma montagem totalmente em preto-e-branco, que climatiza perfeitamente o tom da canção.

O vídeo ganhou o Vídeo do Ano no MTV Video Music Awards de 1985 (Henley comentou que ele tinha ganhado por “passear na traseira de uma picape”). Ele também ganhou os prêmios do ano para Melhor Direção, Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia. O prêmio de Melhor Direção foi apresentado pelo então ex-colega do EaglesGlenn Frey.

Lançado no álbum Building The Perfect Beast”, de 1984, Henley nunca conseguiu superar o feito. Os próprios membros do Eagles chegaram a canta-la em uma apresentação anos depois. O grupo The Ataris também regravou com sucesso nos anos 00. No entanto, é esta a versão definitiva, com sua levada pop surpreendente, que marcou toda aquela geração.

Direção: Jean-Baptiste Mondino | Ano: 1984

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths