Anúncio com Código

Para Ver Antes de Morrer: #191. DJ. Shadow | Six Days

Para Ver Antes De Morrer | 18 jun 13 - por Thiago Murta Ferreira
dj_shadow-ph

Uma explosão de elementos exóticos da cultura oriental. Os sentimentos vão se entrelaçando ao ponto do  amor se limitar aos vícios e o ódio possa se reciclar à destruição natural de um relacionamento. Um lugar de extremo limite da obsessão. Mesclando com as belas imagens frias e saturadas, tocando a interação apaixonante dos atos dos dois personagens, onde se revelam os pecados mais íntimos de cada um.

As cenas retratam a água leve da piscina, a flutuação da mulher – pura, ingênua e promiscua, na qual o alvo é projetado sob faíscas de fogo, como forma de toda possessão do homem, em buscar o libido de saciar os seus instintos carnais. Este clipe é como se fosse um sério confronto espiritual dos dois. Projetam-se as tatuagens, as mazelas e simbologias do mundo suburbano. Passando a existir cenas momentâneas opostas à situação do casal, mas que com o tempo, quase sempre desaparecem. O despertador é marcado para retroceder ao passado, mostrando o desequilíbrio das loucuras desta paixão sufocante que não deixa ao menos o rapaz respirar. A contagem não dá trégua ao sofrimento dele, que parece que perdeu algo muito valioso. Aos poucos a degradação física aparece.Capturar six

A direção veio nas mãos do diretor “Cult” chinês Wong Kar-Wai. O estilo de filmagem é quase igual das demais obras de sua autoria em longas-metragens. Ele elabora seus projetos em temas que retratam o romance com elementos de extremas ações psicológicas, perdões e suicídios.

– Será que as feridas das lembranças do rapaz iram continuar e se propagar pelo resto da vida?

VEJA TAMBÉM: 0192. The Verve | Bittersweet Symphony

O confronto é separado com uma traição. – Isso mesmo, uma traição com as imagens subjetivas em “voyeurismo” do nosso protagonista. Esse elemento do fogo emergiu da raiva e demonstrou a loucura e a sanidade em forma de duelo. As melhores cenas do videoclipe, uma briga de arte marcial em um galpão com vários cubos grandes de gelo no chão, com cortes rápidos, o casal faz coreografias de luta e ao mesmo tempo, o rapaz está quebrando os cubos, na qual aparece a foto da amada.

No fim, é quase um jogo – transformar o amor em dor. O que me deixa intrigado é se a mulher irá morrer ou pior, se era tudo fruto da imaginação do rapaz. Analisando esse videoclipe, eu acho que a mulher nunca existiu! Do jeito que ele senta no banco, passa-se a entender que ele estava preso o tempo todo. Algo que utiliza pra só fomentar os seus desejos. Digno de uma mente oriental sarcástica.

Capturar JdNessa linguagem autoral do videoclipe, sobressaem os sentimentos do amor sem deixar vestígios. As experimentações de fotografias e metáforas das imagens são não-lineares. As expressões cênicas dos atores Chang Chen e Danielle Graham estão perfeitas.

O DJ. Shadow é um nome artístico de Josh Davis. Ele é um dos elaboradores do Trip-Hop dos anos 90. Seleciona e manipula várias musicas desconhecidas que depois, emula novas “bases”, “voices” e “samples”, para desenvolver um novo som. O DJ. Shadow é o detentor do disco que entrou para o livro do Guinness em 2001, chamado ‘Endtroducing… ’ de (1996), como o primeiro álbum a ser gravado apenas a partir de “samples” de músicas já gravadas. (Reza a lenda de que hoje ele já passa de 600 mil álbuns no seu estoque particular).sixdays

– Se eu olhar para ‘Entroducing… ‘ de 1996, para mim, quando eu estava fazendo “Stem” era uma peça central sobre “a imprensa privada”. Quando eu vejo ‘The Private Imprensa‘  de 2002 “Six Days” é só uma peça central. Diz DJ. Shadow (ironizando pelas suas “reciclagens de sons nos seus repertórios”).

No final a simbologia apaga o número que me aparenta ser “436”, como se fosse um suspiro (um chute) de uma redenção. A frase do Bruce LeeA possessão de algo começa na mente”. Resume bem este videoclipe. Uma reciclagem verdadeira de toda essa paixão. Um dos videoclipes dos mais bonitos e inspiradores de todos os tempos.

Direção: Wong Kar-Wai | Ano: 2002

Thiago Murta Ferreira

Cursando em Turismo na (UNICID – SP), a sua disciplina que mais se dedica é área de Artes e Museologia. Na qual, pretende entrar na carreira de Design em breve. Desde criança assistia e anotava os seus videoclipes interessantes em um caderno. Um bom pretexto que se dedica no site é sobre videoclipes artísticos, do Rock ao Eletro underground dos anos 90 e até os dias de hoje. Sempre procurando as curiosidades relevantes das produções audiovisuais.