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Desconstruindo videoclipes para construir significados: Lana Del Rey: fetiche e sensualidade em “Shades of Cool”

Artigos, Videoclipe | 02 mar 15 - por João Paulo Porto
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Por Emmanuel Guimarães do blog 

Que gosta de ares senhoris, um “tiozão da motoca” aqui, um sugar daddyali, todo mundo já sabe. Talvez existam certos resquícios de um pensamento meio que atrasado das relações entre uma garota mais nova e um homem mais velho, temática explorada no filme Lolita (1962 com remake de 1996). É como se a diferença de idade ainda fosse algo errado e, por isso, proibido e consequentemente “mais gostoso”, no mundo de .

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Em “Shades Of Cool”, Lana vai da mulher sensual em uma piscina à ninfeta brincalhona dançando e rodopiando pela casa. Percebe-se que tanto ela como o homem em cena não trocam beijos e nem existem cenas de sexo. O máximo que acontece é um abraço, um abraço amistoso no final. Eles se observam, diria que ele faz isso bem mais do que ela. “Shades” é também uma ode ao amor possessivo, como no verso em que é dito: “and when calls, he calls for me and not for you”.

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Se tomarmos as cenas onde Lana aparece em um cenário onírico, envolta inicialmente em luz e com efeitos de sobreposição, podemos dizer que ela se apresenta como uma figura sobrenatural, uma lembrança, um tormento na vida do homem, que ainda vivo, é cercado de lembranças. É um clipe lento, e assim como o sugar daddy contempla Lana, o ato contemplativo também é passado para quem assiste ao videoclipe. É preciso entrar na atmosfera, acompanhar os momentos baixos e altos da música até respirar fundo e se entregar ao refrão. Pode soar até brega, tipo, muito brega, mas é mais fácil acreditar em sereias ao ouvir Lana Del Rey cantando.

imagesO glamour do vídeo é evidente: carros de luxo, a Rodeo Drive de Beverly Hills. O sol tropical em algumas cenas, a noite clara de outras, o tom de azul num trocadilho com o primeiro verso da música (“my baby lives in shades of blue, blue eyes and jazz and attitude”) que trabalha o significado da palavra “blue” que pode remeter à cor ou a própria tristeza. O solo de guitarra quebra, por um momento o slow do vídeo para depois fazer com que a gente volte para a realidade lenta.

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Lana, uma personagem melancólica, fala de um alguém triste, e se a visão sob a poética da letra estiver apurada, talvez ela também nos conte sobre alguém com um temperamento incomum o que nos faz pensar que tipo de relacionamento fracassado serviu como inspiração para à música. Nas imagens, vemos um conceito relativamente óbvio de ser comentado, mas é uma obviedade elaborada, envolvente e simples.

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths