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Para Ver Antes de Morrer: #236. Deep Forest | Sweet Lullaby

Para Ver Antes De Morrer | 07 jun 14 - por Thiago Murta Ferreira
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Como podemos conceber uma música regional totalmente raizada e consequentemente se tornar um som expandido para o mundo todo?  Uma fórmula que depois serviu como base para a música eletrônica nos anos 90, concebido pela dupla francesa Deep Forest. Sem contar a junção da música com a imagem que coloca uma menina andando em um triciclo, vislumbrando as paisagens e as pessoas sem temer aos perigos lá fora existentes. A inspiração ideal para uma geração aventureira.

Deep Forest Sweet LullabyO videoclipe possui uma estética fotográfica muito bem diversificada, tanto nas cores e nas localizações como em seus protagonistas, que variam de etnias de diversas nacionalidades. Alguns takes se sincronizam de forma bem harmônica, talvez para obter umas concessões igualitárias dos humanos com os seus costumes. – Já adianto que não é só um videoclipe de uma menina de cinco anos no triciclo. Tem outros elementos chaves que nos trazem a significados bem mais importantes quando ela está na tela. Conotações filosóficas que cada um de nós poderíamos interpretar.

A jovem turista usa um pequeno quadro, na qual ela leva aos olhos das crianças em situações similares que já foram vividas pela viajante, em flashbacks. Estas similaridades são relevantes, principalmente em relação à maternidade. Esse elo da despedida da irmã nova com a mais velha (trajada de mãe) que são órfãs, remete ao comportamento da mãe que não consegue aceitar o amadurecimento inevitável das filhas.

O fator que mais chama atenção é o capricho do diretor indiano Tarsem Singh, algo que é comum no seu currículo de videoclipes, vide o antecessor “Losing My Religion” do R.E.M, um dos melhores videoclipes que já foram concebidos.

O cubo se refere ao momento em que você fotografa essas sensações únicas, nostálgicas e saudosas. São cenas de pessoas intercaladas ao cenário especifico daquela região. Os passeios nos levam a ver a sobrevivência de homens sucateando um navio velho, pescadores nos rios, as celebrações militares, momentos guardados para sempre. No fim do videoclipe, a pequena turista volta para sua terra natal, de bruços, no colo de sua irmã mais velha. Deep Forest 12j

Cada localização possui seu próprio filtro de cor, registrados em oitos cidades e  representadas por pessoas de nacionalidades distintas: Nova York (Estados Unidos), Barcelona (Espanha), Nairobi (Quénia), Istambul (Turquia), Pequim (China), Moscou (Rússia) e os templos submersos da cidade de Veranasi e os estaleiros de Alang, ambos na (Índia). O diretor respeita as tradições com mudanças de cenas focando nos tons místicos e impactantes das arquiteturas de cada país.

O projeto da música aconteceu quando Michel Sanchez e Eric Mouquet fundaram o Deep Forest em 1991. Foram dois anos de trabalho com sintetizadores e pesquisas para poderem combinar as gravações das musicas tribais ou de etimologias diferentes com o conceito moderno e eletrônico. Em 1993 com álbum autointitulado “Deep Forest”, nasceu um novo tipo música, às vezes chamado étnica eletrônica, misturando étnica com sons eletrônicos e batidas de dança ou batidas chillout. Seu som tem-se descrito como um “ambiente de música etno- introspectivo mundo.”.

Deep Forest 1001A canção é baseada em uma cantiga de ninar feita pela cantora Afunakwa, cantada na língua Baegu, a música é chamada “Rorogwela”, originária das Ilhas Salomão. A dupla concedeu uma mostra dessa gravação que continha à amostra vocal gravada originalmente em 1970 pelo etnomusicólogo Hugo Zemp.

As letras se referem a uma criança sendo consolado por seu irmão mais velho, apesar da perda de seus pais, e seguindo em frete aos seus obstáculos, porque os espíritos dos pais irão sempre lhe proteger nessa caminhada.

O álbum ganhou notoriedade no mundo todo e recebeu indicações de Melhor Albúm do ano e melhor Canção no Grammy de 1994. O videoclipe, dirigido por Tarsem Singh, também foi indicado para quatro categorias, inclusive de Melhor Diretor no MTV Video Music Awards em 1994.

Em 1998 foi lançada a segunda versão do videoclipe que foi vinculada pela UNESCO como parte de sua coleção de fontes musicais étnicos de todo mundo. No mesmo ano, a cantora Afunakwa teria morrido em sua terra natal. [LINK].

Em 2005, a canção ganhou novamente exposição na mídia, quando foi apresentada por Matt Harding em seu vídeo viral Where The Hell Is Matt?. O clipe mostra a sua viagem por vários cantos do mundo, improvisando uma dança estranha e cativante. Em compensação, ele pegou o espirito da música e do videoclipe, porque em alguns momentos das nossas vidas, as melhores experiências não precisam ser reveladas em uma máquina, e sim em suas próprias memórias.

Direção: Tarsem Singh | Ano: 1993 

Thiago Murta Ferreira

Cursando em Turismo na (UNICID – SP), a sua disciplina que mais se dedica é área de Artes e Museologia. Na qual, pretende entrar na carreira de Design em breve. Desde criança assistia e anotava os seus videoclipes interessantes em um caderno. Um bom pretexto que se dedica no site é sobre videoclipes artísticos, do Rock ao Eletro underground dos anos 90 e até os dias de hoje. Sempre procurando as curiosidades relevantes das produções audiovisuais.