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David Bowie: um histórico da incrível carreira audiovisual do cantor

Listas | 24 ago 16 - por João Paulo Porto

Sempre quando falamos quem é o artista que foi mais importante para o cenário audiovisual mundial, Michael Jackson e Madonna vem sempre a mente. Mas esquecemos que outros grandes nomes também soaram bastante com ideias relevantes que trouxeram à luz grandes videos musicais. David Bowie é um exemplo disso. Como se não bastasse ser um gênio na música, o inglês, falecido em Janeiro de 2016, soube como poucos utilizar do poder da imagem como meio para abranger sua arte à públicos distintos.

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As muitas faces de David Bowie pela artista Helen Green

Ele já estava fazendo vídeos muito antes mesmo da MTV consagrar a forma; pode-se argumentar que a sua ênfase no caráter, traje, narrativa e reinvenção pessoal ajudou a preparar o terreno para a chegada de vídeos como um meio artístico que seria crucial na década de 1980.

Bowie tinha uma relação simbiótica com a MTV; no início e meados dos anos 80, a rede ajudou a catapulta-lo à fama mundial. Mas isso não o impediu de criticar a empresa: O cantor repreendeu o VJ Mark Goodman por relutar a por no ar videos de artistas negros. E ele usou seus vídeos, não só como a oportunidade de desenvolver seu caráter líquido, mas também, ocasionalmente, para estender críticas mais pontiagudas à injustiça racial e de classe.

O camaleão do rock nos entregou marcantes imagens impossíveis de esquecer, como sua estrutura ágil em silhueta na névoa, ou uma chuva de arroz branco desmoronando-se em câmara lenta, ou uma nuvem de cogumelo explosiva no interior australiano.

E como se não bastasse, no final de sua vida, Bowie voltou aos holofotes para criar alguns dos trabalhos mais triunfante de toda a sua carreira, transformando sua própria morte iminente em vídeos muito diferentes, e profundamente comoventes. Ele continuou a nos surpreender até o fim. Rei, né amores?

Abaixo, selecionamos um lista dos clipes seminais para a carreira visual do camaleão do rock. Se você quer sugerir outros clipes, deixe seu comentário logo no final do post.

“Space Oddity” (1972)

Neste clipe, Bowie está descontraído e resplandecente sob um feche de luz avermelhada enquanto dedilha uma guitarra acústica. Dirigido por Mick Rock, icônico fotógrafo de rock, o vídeo é assumidamente cru, mas a imagem que Bowie cria de si mesmo faz deste um trabalho surpreendentemente atraente e que chamou a atenção para o jovem cantor.

“Life on Mars?” (1973)

Não há nada para ver aqui, a não ser Bowie como ele mesmo, o camaleão do rock irredutível.  Mas sua expressão e linguagem corporal são tão ricos como qualquer épico do cinema: olhos sombreados de azul, o penteado que desafia a gravidade, a onda perfeita de seus lábios. O visual perfeito que chocou na época que foi lançado. Em algumas cenas, o seu tom de pele é tão apagado que parece se fundir com o fundo branco. Apesar do imaginário enigmático da canção, não há dúvidas sobre a mensagem do vídeo: Aqui está um homem que entende o poder do espetáculo.

“Heroes” (1977)

De todas as imagens que apresentaram Bowie como um homem do espaço, a abertura do cantor envolta em névoa luminosa com a cabeça ligeiramente inclinada para um lado, é um dos mais icônicos. Provavelmente o diretor Stanley Dorfman teria visto o filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau, que foi lançado em dezembro do mesmo ano, o que torna a semelhança notável. À medida que a câmera se afasta lentamente em suas feições élficas, ele realmente se parece com uma criatura de outro mundo. Um retrato de uma época maravilhosa para a carreira do camaleão, a trilogia Berlin.

“Ashes to Ashes” (1980)

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Figurino utilizado por Bowie para o clipe de Ashes To Ashes.

Efeitos especiais precários, trajes assustadores, paisagens marcianas, paredes acolchoadas, uma escavadora, e claro, Bowie em um assustador traje de Pierrot. O diretor  inaugurou a nova década com estilo em um dos clipes mais importantes da carreira do camaleão do rock.

VEJA TAMBÉM: Para Ver Antes de Morrer: #181. David Bowie | Ashes To Ashes

“Fashion” (1980)

A música que mistura discoteca e new wave, apresenta Bowie e sua banda tocando para uma plateia indiferente. Bowie dança como um hamster e faz caretas como se estivesse cheirando cocaína intercaladas com imagens de fashionistas descontroladamente fantasiados. E às 1:35, seus dançarinos convulsionam descontroladamente, um ato que ele iria reprisar, aterrorizantemente, em “Blackstar”.

“Let’s Dance” (1983)

Primeiro sucesso mundial de Bowie da era MTV, o vídeo de “Let´s Dance”, com um toque de Cinderela e O Mágico de Oz, em uma dramatização improvável das lutas dos povos aborígines da Austrália. Com esse trabalho, Bowie se consagraria como ícone pop da década de 80.

VEJA TAMBÉM: Para Ver Antes de Morrer: #39. David Bowie | Let´s Dance

“China Girl” (1983)

O vídeo da música, que trazia a modelo da Nova Zelândia Geeling Ng, foi dirigido por  e assim como o vídeo de seu single anterior, “Let´s Dance” é uma crítica ao racismo na Austrália. Bowie descreveu o vídeo como “muito simples, muito direto”. O vídeo conscientemente faz parodia dos estereótipos femininos asiáticos. Entre as imagens inesquecíveis que o vídeo nos deu: Bowie em pé no meio da rua, jogando uma tigela de arroz sobre a sua cabeça.

“Never Let Me Down” (1987)

Jean-Baptiste Mondino dirigiu esta homenagem em sépia para as maratonas de dança da primeira metade do século 20; imagens elegantes e discretas que apontam qualidades da canção.

“I’m Afraid of Americans” (1997)

A canção influenciada pelo post-Prodigy, é um verdadeiro artefato do final dos anos 90 e o vídeo (de Dom & Nic) continua a ser ainda mais relevante: influenciado por Taxi Driver, o clipe é estrelado por Trent Reznor como a personificação da fervilhante América, profundamente violenta e Bowie, sempre à frente como um visual impar e comportamento paranóico, é testemunha de atos de violência perpetrados por cidadãos.

“The Stars (Are Out Tonight)” (2013)

David Bowie e Tilda Swinton, finalmente juntos em um clipe espetacular. Não foi nenhuma surpresa quando o vídeo de David Bowie do aguardado single, , estreou com aplausos de fãs e críticos. A trama dirigida por , apresenta Bowie folheiando uma revista de fofocas e vê fotos de jovens alucinados. Ele para por alguns instantes, como se estivesse se lembrando da própria juventude. “Nós temos uma boa vida”, diz ele, depois, para Tilda. O resto é espetáculo puro.

“Blackstar” (2015)

Ao longo de 10 minutos, aparecem em cena o crânio de um astronauta e uma mulher com uma cauda, alguns dançarinos sinistros, espantalhos e um ritual. E claro, David Bowie gesticulando como um assombroso boneco de marionete. Enquanto os detalhes da trama são um mistério, Bowie e diretor Johan Renck se juntam para criar algo que pode ser tão emocionante como uma história de um humor negro e tangível. É quase impensável: Apenas alguns meses antes de sua própria morte, ele auto-direcionou sua ascensão.

“Lazarus” (2016)

Ato final de Bowie é, francamente, difícil de assistir. Não porque ele parece doente, porque ele realmente estava. Aqui ele se depara com o homem cheio de vida que nunca deixou de ser. E o que se esconde sob a superfície deste olhar inabalável é o vazio. Bowie ânsia em prontidão á liberdade que tanto almeja. Mesmo no leito da morte, ele ainda está um passo à frente de todos nós.

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths