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Para Ver Antes de Morrer: #181. David Bowie | Ashes To Ashes

Para Ver Antes De Morrer | 03 fev 13 - por João Paulo Porto
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Melancólico e introspectivo, “Ashes to Ashes” era uma releitura de seu personagem Major Tom de seu primeiro sucesso de 1969, “Space Oddity”. Descrito como um dos melhores singles de sua carreira e do ano 1980, a música também incluiu reflexões sobre lamentosos caminhos morais e artísticos do cantor: “Eu nunca fiz coisas boas/Eu nunca fiz coisas ruins/Eu nunca tomei decisões precipitadas”.

Em vez de um astronauta hippie que casualmente desliza dos laços de um mundo grosseiro e material para uma jornada além das estrelas, a canção descreve Major Tom como um “drogado, viciado e chapado atingindo um nível mais baixo  em todos os tempos”. Esta letra foi interpretada como uma brincadeira com o título do álbum de 1977, Low, que traçou a sua retirada para a Alemanha, cansado dos excessos de drogas na América. Outra interpretação de Major Tom pode ser considerada: ao invés da chegada à terra, de “Space Oddity”, aqui ele está saindo “para fora” ou para o espaço, voltando para casa.

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Bowie e Mallet nos bastidores de “Ashes To Ashes”

Bowie declarou em uma entrevista à NME logo após o lançamento do single, “É realmente uma ode à infância, se você quiser, uma canção de ninar popular. É sobre homens do espaço se tornando viciados (risos)”.

Musicalmente “Ashes to Ashes” se tornou notável por seu som delicado de cordas sintéticas e sua camadas de vocal complexas. Talvez o trabalho mais sofisticado de Bowie  até à data.

O vídeo da música foi um dos mais emblemáticos da década de 1980, considerado para muitos o marco inicial do gênero. Custou cerca de £250.000, na época o vídeo musical mais caro já feito.  o Vídeo integra cenas tanto em cores como em preto-e-branco, com Bowie vestido num traje Pierrô intergalático berrante, que se tornou a representação visual dominante de sua fase Scary Monsters.

Pela primeira vez, houve uma preocupação maior com cenários e roteiro em um clipe de Bowie e a ótima direção de   contribuiu para a evolução do videoclipe como experiência ligada indissoluvelmente a música pop contemporânea.

Bowie descreveu a si mesmo e as pessoas marchando para a câmera na frente de um trator como símbolo “da violência que se aproxima”. Embora pareça que duas delas curvam-se em intervalos programados, elas estavam realmente tentando livrar seus vestidos do trator.Contrariamente à opinião recebida, a mulher idosa que palestra para Bowie no final do clipe não era sua verdadeira mãe. As cenas de brasas queimando e Bowie ligado a uma nave por meio de veias foram idéias do cantor, assim como os românticos modernos que acompanham o video.

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Bowie e Mallet nos bastidores de “Ashes To Ashes”

Longe das amarras das gravadoras e sem um público alvo, “Ashes To Ashes” possuía a liberdade de expressão que ambos, Bowie e Mallet desejavam, conta o diretor no ótimo documentário Video Killed the Radio Star. Porém, mesmo com toda a liberdade criativa, não era fácil criar todos aqueles efeitos visuais que davam um toque de surrealismo ao clipe, pois não havia pós-produção, tudo teria que ser captado no momento da gravação. Por exemplo, criar um céu negro e ameaçador, sem comprometer o rosto dos personagens, era uma tarefa difícil e Mallet descobriu por acaso durante as gravações.

“Ashes to Ashes” é um retrato vivo e luminoso do camaleão do rock, considerado um trabalho evolutivo da música e do audiovisual neste videoclipe detalhado e imparcial, sem deixar de ser reverente. Um retrato ousado da obra do homem que servia como um bússola para a música pop mundial, sempre apontando para o norte.

O movimento New Romantic foi fortemente influenciado pela música e imagem de Bowie neste trabalho.

Diretor: David Mallet | Ano: 1980

Making Of:

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths