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Para Ver Antes de Morrer: #235. Christina Aguilera | Dirrty

Para Ver Antes De Morrer | 31 maio 14 - por João Paulo Porto
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Alguns clipes podem causar repulsa e manchar a imagem do artista para sempre, ou em raros casos, por um bom tempo. Nenhuma dessas opções pode-se aplicar a Christina Aguilera. O primeiro single de Striped, “Dirttycausou reboliço por causa de um videoclipe que ilustrou bem a ligação entre a obra audiovisual e o artista, revelando-se porque, de vez em quando, o vídeo desvia-se de sua missão de divulgar uma musica para tornar-se alvo de acusações por parte da ala mais “conservadora” e mesmo assim se provar popular.

Bastidores das gravações de "Dirrrty"

Bastidores das gravações de “Dirrrty”

Stripped, considerado por fãs  como o melhor álbum da carreira de Aguilera, traz uma bela audição de bons R&B misturados em muita sexualidade e ótimos lamentos sentimentais.  Naquela época, ela havia criado um alter ego perigoso e selvagem, atrevidamente enfeitada com tatuagens, piercings e cabelos bicolores revoltosos. Um visual impactante comparado ao que os fãs  estavam acostumados em seu primeiro videoclipe, “Genie in a Bottle” de dois anos antes. O mais famoso single foi “Beautiful”, composta por Linda Perry, mas foi com “Dirtty” que Christina mostrou ao mundo sua indecência interior.  A transição, segundo ela, era a representação mais fiel de seu eu interior.

Repleto de fetiches sexuais, o clipe, gravado em Los Angeles em um prédio de jornal impresso abandonado, se passa em um  ringue de boxe sujo e depravante. Mas a brutalidade presente na tela simbolizava o conceito sujo de “Dirrty”: esse ambiente imundo e obscuro que ocorre em lugares subterrâneos com gente louca, psicopata e cruel e tudo de podre que acontece nesses lugares.

A famosa “abaixadinha”

A “brutalidade” começa com Aguilera se preparando para adentrar no ringue de boxe com sua moto. Vestindo um biquíni reduzidíssimo e não mais que dois pares de calcas de couro, acompanhada de vários dançarinos, Christina aparece lutando com uma mulher mascarada. A cena intercala com sequências de Aguilera dançando em uma área superior revelado seu figurino exótico: um microshort. Redman, o rapper que participa da faixa, aparece em um corredor, passando por pessoas bizarras, como lutadores de lama, uma contorcionista e uma cuspidora de fogo.  Christina surge novamente para encerrar o clipe com seus bailarinos espirrando água  em uma coreografia numa sala contendo vários urinois – uma possível referencia a Urolagnia? (se você não sabe o que e urolagnia, o Google esta ai para isso).

A impressionante visão do diretor David LaChapelle  de uma “orgia pós-apocalíptica” ficou datada em alguns detalhes sutis (coreografia na lama), porem a violência pelo qual foi tão criticado em seu lançamento estava mais relacionada com a questão sexual e com o tempo provou-se tão discreto para os padrões viscerais contemporâneos. A cantora foi largamente ridicularizada pela imprensa – que a acusaram de deixar o sexo tomar a frente da musica – e pelos fãs que não souberam reagir a estranha narrativa e violência. Apesar de fortemente criticado, o conceito do clipe era ao mesmo tempo repugnante e apaixonante e apresentou ao mundo a famosa “abaixadinha”, aquele movimento de dança sugestivo imitado aos montes em muitos outros clipes (Beyoncé?, Pussycat Dolls?).

"Dirrty" foi proibido na Tailândia por mostrar cartazes, escritos em tailandes, que promoviam o turismo sexual no pais (O diretor jura que não sabia).

“Dirrty” foi proibido na Tailândia por mostrar cartazes, escritos em tailandes, que promoviam o turismo sexual no pais (o diretor jura que não sabia).

Mesmo com toda a polemica, “Dirrty” recebeu 4 indicações ao VMA (Melhor Vídeo Feminino , Melhor Vídeo de Dança, Melhor Vídeo Pop e Melhor Coreografia ) e recebeu o prêmio da MTV do clipe mais sexy de toda a historia do canal. Em 2013 o canal VH1 elegeu “Dirrty” como o clipe mais escandaloso de todos os tempos gravado por uma mulher, deixando para trás medalhões como  e seu “Justify My Love”.

Diretor: David LaChapelle | Ano: 2002

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths