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Para Ver Antes de Morrer: #233. Bruce Springsteen | Streets of Philadelphia

Para Ver Antes De Morrer | 17 maio 14 - por João Paulo Porto
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Em 1993, Jonathan Demme pediu à Bruce Springsteen para compor um tema para a abertura de um filme que ele estava rodando sobre a Aids. Anterormente, ele havia pedido à Neil Young, e este entregou “Philadelphia”, porém, Demme decidiu utilizar esta canção para encerrar o filme.

Street Philadelphia Bruce SpringritenO  diretor estava procurando por um rock americano bem atual em que sobressaísse a guitarra que funcionaria também como um hino universal sobre a injustiça. Bruce começou a escrevê-la com base nas letras que ele já havia escrito sobre a morte de um de seus amigos. Springsteen enviou uma demo a Demme (trocadilho inevitável) que a adorou e sentiu que era perfeita para seu filme.

O videoclipe, dirigido por Jonathan e seu sobrinho Ted Demme, começa mostrando Springsteen andando pelas ruas de uma Filadélfia desolada, seguido por um parque movimentado e uma escola, intercaladas com imagens do filme. O clipe termina com Springsteen caminhando ao longo do rio Delaware, com a ponte Franklin Benjamin em segundo plano. Tom Hanks também é visível como o personagem principal que ele interpreta no filme , olhando para Bruce no inicio do verso final.

Assim como no filme, Demme enche de sinceridade cada movimento da câmera e as tomadas longas que observam calmamente a interação entre o cantor e o ambiente em sua volta. Este efeito faz cada movimento aparecer bem enquadrado e de forma bonita, quase poética. O clipe é rico em sua caracterização e nos emociona quando é mostrado a aparência frágil de um Tom Hanks assustado e solitário, encenando de forma simples e convincente. O resultado convenceu e o clipe se tornou um dos mais assistidos de todos os tempos.

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Curiosidade: A parte vocal para o vídeo foi gravado ao vivo durante as filmagens, usando um microfone escondido, que depois foi mixada com uma faixa instrumental pré-gravada. Esta era uma técnica mais apropriada para músicas emocionalmente intensas. Desta forma a dublagem não soaria falsa e artificial, sem emoção. Este efeito já havia sido usado por John Mellencamp no clipe de “Rain on the Scarecrow” em 1985 pelo próprio Bruce em “Brilliant Disguise ” em 1987.

Demme queria trazer para o público maior e ainda não familiarizado, os conflitos e sofrimentos da questão da Aids e sabia que atrairia muita audiência com Bruce Springsteen e Neil Young. Afinal, quem viria ver um filme sobre um gay aidético morrendo de Aids? Os dois são cantores elogiadíssimos pelos seus trabalhos musicais e influenciaram uma geração de músicos. Com o resultado extremamente positivo, o filme e a canção (que fala sobre como é ser vítima do preconceito e foi escrita por um Bruce que nunca havia passado por uma experiência como a deficiência) ajudaram a diminuir o estigma da doença.

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A atuação comovente e emotiva de Hanks valeu o cobiçado Oscar de Melhor Ator.

VEJA TAMBÉM: Os The Rolling Stones deram a volta por cima e começaram com o pé direito nos anos 90 com este clipe sensacional, dirigido pelo experiente David Fincher (Clube Da Luta) > http://ads.tt/1ANKG

Filadélfia foi o primeiro filme que realmente abordou de forma humana e emocionante o drama de quem sofre da doença e levou dois importantes prêmios da Academia: O de Melhor Ator para o competentíssimo Tom Hanks (que interpretou com carisma e profundidade o homossexual Andrew Beckett, demitido do emprego após descobrirem que é soro-positivo) e o Oscar de Melhor Canção para “Streets of Philadelphia”, revigorando a carreira de Bruce Springsteen, que estava em baixa desde Tunnel of Love (1988).

Direção: Jonathan Demme & Ted Demme | Ano: 1994

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths