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Britney Spears, autoria, performance e “Pretty Girls”: hit do ano?

Artigos, Videoclipes | 19 maio 15 - por João Paulo Porto
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Por Emmanuel Guimarães do blog 

Quando o áudio de “Pretty Girls” vazou, muita gente comparou o single a dois hits, um de dez anos atrás e outro de alguns meses no passado. Se você estava vivo em 2005 e ainda continua em 2015, deve lembrar de “Hollaback Girl” de , música que é muito famosa porque além de ter sido feita para grudar, ainda é uma resposta a  que, naquela época, andou esquecendo os limites da língua. A ex de  teria dito que Gwen não passava de uma líder de torcida.  A outra canção, se trata de “Fancy”, featuring de Iggy Azalea e Charli XCX, faixa que foi produzida por The Invisible Man, mesma pessoa que colocou os dedos em “Pretty Girls” e aí temos um problema. Ou não.

De fato, existem muitas semelhanças entre as batidas que ouvimos em “Fancy” e all-around-the-world, PRETTY GIRLS!, pois alguns produtores da música pop gostam de assinar as faixas nas quais participaram mas sem fazer com que o cantor fale o seu nome. É uma estratégia de demarcação de território que gera reconhecimento rápido no mundo da música.  No começo de “Just Dance”,  canta em alto e bom som o nome de quem produziu a faixa e a maioria das músicas do The Fame: “Oh, Red One…” Além disso, há um som peculiar, que vamos chamar de “assinatura sonora” que é comum em algumas das canções especificamente do álbum The Fame. Ouça:

Aos 15 segundos, além de Lady Gaga citar Red One, dá pra ouvir a assinatura sonora do produtor. É possível ouvir também aos 23 segundos e ao longo da faixa.

Aos 17 segundos, a mesma assinatura de “Just Dance” é usada em “Poker Face”.

Além das comparações sonoras, após o lançamento do clipe, também dá para perceber semelhanças estéticas na imagem principalmente quando relacionamos a “Fancy”. Acredito que não se trata de falta de criatividade, mas de retratar um pouco das fontes de que a canção bebe, como a músicas dance dos anos 80, época em que também foi lançado o filme Earth Girls are Easy (1988) que serviu de inspiração para o diretor de “Pretty Girls”, Cameron Duddy com colaboração de . O enredo do clipe discorre sobre duas amigas, uma mora na terra – – e a outra, uma alienígena interpretada por Iggy Azalea, que chega de algum lugar do espaço. O que mais chama atenção é algo que não está necessariamente ligado ao videoclipe, mas a um estado de espírito que dá energia ao que vemos: Britney parece mais animada e volta até a mostrar a língua com mais frequência. Ao longo de várias entrevistas, comparando a artista entre meados dos anos 2000 e agora, parece que ela perdeu um pouco do brilho nos olhos e da espontaneidade, talvez por ter cansado da mídia se aproveitado do que ela falava.

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Para os fãs que acompanham a tragetória da artista desde, pelo menos, o lançamento de “In the Zone” e que atravessaram seus problemas emocionais em 2007, uma das maiores perdas foi no quesito dança. Britney (me corrijam se eu estiver errado) tem o hábito de fumar desde aquele VMA e desde aquela performance desastrosa de “Guimme More”, e já passou por uma cirurgia no joelho, o que compromete a disposição para realizar as coreografias e a mobilidade em realizá-las. O hábito de fumar não é muito legal com quem precisa dançar durante pouco mais de uma hora.

Atualmente, os fãs vivem na esperança de ver Britney performando de maneira igual ou próxima a do vídeo aí embaixo. Se você for professor de dança ou simplesmente alguém que ama dançar, há de convir na minha admiração e opinião de completo leigo no assunto, de que se trata de uma exímia e mais do que talentosa dançarina que, provavelmente, em certo ponto da carreira deixou de lado a voz para se dedicar à dança. A perfeição e leveza com que ela executa a coreografia nessa performance deToxic é tão intensa e tão apaixonada que quem assiste fica cansado só de ver. Muito se critica Neyde pelo fato de dublar, mas, cá pra nós: ela conseguiria executar a coreografia com tanta perfeição se estivesse cantando ao vivo? Como disse antes, pode ter sido uma escolha.

“Pretty Girls” é efusivo, tem muitas cores fortes e vibrantes, típico de uma visualidade que caracteriza o verão. É algo comum “embalar” uma música para um momento em que ela está inserida por questões comerciais. Quanto a atuação, Britney encarna a efusividade nas expressões do rosto, ritmo que não é acompanhado por Iggy Azalea que parece não compartilhar da mesma química que teve com  no clipe de “Fancy”. Há certa atemporalidade, parece uma época que remete aos anos 80, mas que contém traços bastante atuais principalmente quando reparamos nas propagandas, prova de que houve uma adaptação no roteiro para o encaixe de celulares e produtos para academia. Após certo tempo de jornada, é bastante natural que um artista se autorreferencie como é perceptível quando é cantando “Is it true that these men are from Mars?” e “While all the boys beggin’ Britney hit ’ em “One More Time”, remetendo as faixas “Oops, I Did It again”, que deu origem a um clipe onde Britney interpreta uma marciana e “hit me…Baby One More Time. Neste caso, a autorreferência pode ser colocada entre aspas pois “Pretty Girls” foi feita pelo grupo Little Mix e, ao que tudo indica, sob encomenda.

Em “Toxic”, uma moça chamada Cathy Dannis é o gênio por trás do processo, mas só Britney Spears com as caras, bocas, línguas e a paixão com que ela cravava os passos da coreografia,  poderiam ter levado “Toxic” ao que é hoje. Uma das melhores formas de prestigiar o trabalho autoral de hits é colocar no YouTube, “demo for Britney Spears” e encontrar nomes como Candice Nelson (“Radar”), Keri Hilson (“Breake the Ice”), Lady Gaga (Telephone – não gravada) e Sia (“Perfume”), além da versão demo de “Umbrella” cantada por The Dream e descartada por dona Spears.  agradeceu o favor.

“Pretty Girls” dá sim para sair por aí cazamiga, dá pra dançar na balada, dá pra fingir que você é Britney e que seu melhor amigo é Iggy Azalea no carro indo pra faculdade, mas não passa disso. A música não tem cacife suficiente para ser adjetivada como “hit do ano”. Esperava-se mais de Britney e Iggy Azalea, e devemos levar em consideração que a letra foi composta pelo Little Mix, ou seja, ficamos na vontade de ver um trabalho em que a princesa do pop e uma das rappers mega hitadas do momento nos desse desde a letra manuscrita até a gravação final. “Pretty Girls” é como aquela pessoa que você conhece e que dá um certo calafrio mas não arrepia todos os pelos do corpo. Falta mais força, falta o que Britney transparece no clipe. Um dos méritos da faixa é que ela é irresponsável, divertida e não existe um apelo conceitual rebuscado. Não precisamos perguntar porquês nem confabular sobre o que há por trás. São apenas duas garotas se divertindo. E o que dá pra falar sobre tudo isso?

Que some things don’t change…

h

Que o mundo dá voltas..

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Mas elas sempre se amaram, né? page2

LA told me, you’ll be a pop star. All you have to change is everything you are. Tired to be compared to damn Britney Spears, she’s so pretty that just ain’t me… – P!nk

Podemos dizer isso também:

aaaa

E sim, assistimos a clipes com o dedo na tecla de espaço pausando frame a frame.

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths