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Para Ver Antes de Morrer: #120. Aphex Twin | Come To Daddy

Para Ver Antes De Morrer | 25 jan 12 - por João Paulo Porto
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A música de Aphex Twin, nome artístico de Richard David James, sempre apresentou inovações criativas, foi um dos pioneiros no uso de softwares para compor música e não só marcou sua obra pelo apelo técnico típico do gênero eletrônico, mas também se destacou pelas belas melodias que estruturam suas composições. Qualquer raver que se valha deve ter pelo menos um exemplar de algum disco do Twin na sua coleção, pois sua música fascinante de sintetizadores é uma das coisas mais bacanas já feitas nas últimas décadas.

Um dos melhores momentos do Aphex Twin foi o revolucionário videoclipe para “Come To Daddy”, uma alucinante viagem selvagem e perturbadora inspirada nos momentos mais assustadores da filmografia de Stanley Kubrick.

Seguindo a mesma veia de inspiração de “All Is Full Of Love” da islandesa Bjork, Chris Cunningham nos presenteia com uma pulsante enxurrada de originalidade retumbante em um trabalho aclamado por público e crítica e eleito pelo site Pitchfork o melhor da década de 90.aphex come to daddy

O vídeo da música (lançado em outubro de 1997) foi filmado na mesma propriedade onde Stanley Kubrick filmou muitas cenas de A Laranja Mecânica. O vídeo começa com uma senhora passeando com seu cachorro em um ambiente industrial sujo. O cão urina em uma televisão abandonada na calçada, fazendo com que ela inesperadamente crie vida, desencadeando um espírito maligno, acompanhado por uma gangue de crianças pequenas, todas com rostos sorridentes, mas macabros e que parecem habitar os prédios abandonados. As crianças seguem causando estragos, destruindo um beco e perseguindo um homem em seu carro. O demônio (interpretado por Al Stokes) emerge da televisão, grita no rosto da mulher (um grito macabro e de gelar o sangue!) e em seguida, reúne os filhos em torno dele.

O videoclipe é sombrio, angustiante e claustrofóbico. Cunningham demonstra seu domínio da arte, criando uma atmosfera de grande tensão. Ao escolher cuidadosamente seus ângulos e ritmos de filmagem, induz o pânico em suas platéias e com toda a sua genialidade, Cunningham transcende o formato audiovisual pela excelência de sua composição visual, comparando a grandes filmes de terror e da ficção cientifica como: O Iluminado, de Stanley Kubrick e Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg.

Apesar de ser diferente de tudo que já foi feito anteriormente e posteriormente, é acessível, hipnótico, sedutor e muito adequado ao formato audiovisual daquela época. Absolutamente, uma obra-prima!

Diretor: Chris Cunningham | Ano: 1997

João Paulo Porto
João Paulo Porto

Fundador do 1001 Videoclips e louco por The Smiths