Video Killed The Radio Star: A história do videoclipe – dos Beatles à era da Internet

Listas | 16 out 18 - por João Paulo Porto

O dia 1 ̊ de agosto de 1981 foi um divisor de águas para a indústria fonográfica mundial: entrava no ar o canal norte-americano MTV, dedicado exclusivamente à exibição de videoclipes de artistas variados, apresentando uma nova forma de divulgação de música. O primeiro vídeo exibido foi “Video Killed The Radio Star“, do grupo The Buggles. Longe de exterminar outros meios de divulgação de música, como o rádio, por exemplo, o videoclipe emergiu como uma nova e revolucionária ferramenta de divulgação de um artista, tão importante quanto o rádio e os programas televisivos.

Nos anos 60, os The Beatles e os Rolling Stones já experimentavam esse formato para divulgar suas músicas mundo afora. O trabalho audiovisual de Bob Dylan para “Subterranean Homesick Blues” poderia ser considerado o mais próximo de um videoclipe conceitual se não pertencesse 141 à abertura do documentário “Don’t Look Back” sobre a turnê do cantor pela Inglaterra, em 1965.




O Queen tornou-se o precursor – sem intenções – dos videoclipes ao produzir uma odisseia de imagens épicas para a sua melhor gravação, “Bohemian Rhapsody”, virando oficialmente o primeiro clipe da história, em 1975, apesar de controvérsias. Na década de 1970, o programa fantástico já exibia e produzia vídeos de artistas brasileiros como Raul Seixas e Ney Matogrosso, estabelecendo o padrão audiovisual da música nacional.

Com um videoclipe totalmente computadorizado para a canção “Accidents Will Happen”, um exemplo de inovação tecnológica e estética, Elvis Costello inovou o segmento em 1979. Sete anos depois, o The Cars iniciava a combinação entre vídeo e tecnologia com o elaborado “You Might Think”, que logo se tornaria influência direta para o fantástico “Money For Nothing”, do Dire Straits, uma novidade para a época, com imagens em 3D que se converteram em referência para futuros clipes digitalizados.

Nos anos 80, o videoclipe estabeleceu-se como ferramenta importante na divulgação de uma banda, e as gravadoras viram nisso um nicho lucrativo. Aproveitando o pioneirismo de artistas como Michael Jackson e Peter Gabriel, investiram pesado em produções cada vez mais sofisticadas que resultaram em gigantescas vendas de discos.




O Duran Duran, no início de sua carreira, foi o primeiro a aproveitar ao máximo o novo formato em produções luxuosas e caríssimas, com conteúdo regular e roteiro com história. Dessa fase saíram “Girls On Film”, o primeiro a mostrar nu frontal e sadomasoquismo; “Rio”, que refletia todo o espírito e a atmosfera dos yuppies oitentistas; e “Save A Prazer” e “Hungry Like The Wolf”, gravados em lugares exóticos como Sri Lanka, Singapura e Indonésia, com custo muito além do permitido para a época.

Em 1982, Michael Jackson lançou “Billy Jean”, um marco para a indústria fonográfica. Pouco tempo depois, veio a dança de 15 minutos que transformou a história da música pop para sempre. “Thriller” quebrou duas barreiras na MTV: pela primeira vez um artista negro se tornou o mais importante da história da cultura pop mundial e sua música, exclusivamente negra, acabou sendo referência de estilo. “Thriller” ainda se tornaria o videoclipe mais importante e influente de todos os tempos. O impacto causado reverberou mundo afora, e sua obra artística serviu de parâmetro para futuros videoclipes, nos quais altos investimentos e ideias inovadoras seriam essenciais. Stephen R. Johnson dirigiu, em 1986, o espetacular “Sledgehammer”, do inglês Peter Gabriel, considerado o videoclipe mais exibido na MTV nos anos 80 e o mais influente e inovador depois de “Thriller”.

Na década de 1990, meios tecnológicos mais sofisticados foram utilizados por nomes talentosos que quebraram barreiras na indústria audiovisual: David Fincher, Spike Jonze, Jonathan Glazer, Anton Corbjin e Michel Gondry, que revolucionou o formato ao implementar truques de câmera e ideias visuais em vídeos para Bjork, Daft Punk, Foo Fighters e Kylie Minogue. Destacam-se “Around The World”, “Come Into My World”, “Let Forever Be”, “Everlong” e “Human Behaviour”. Atualmente, alguns desses diretores são grandes nomes do cinema.

Os anos 00 apresentaram outra revolução: o advento da internet e de meios de divulgação, como o canal YouTube e Vevo, tornaram-se os melhores e mais acessíveis veículos de exibição de videoclipes. A grande diferença entre esses meios e os canais de música MTV e VH1 estaria na possibilidade de escolher o que ver e quando ver. A internet mudou a forma como assistimos a vídeos e isso representa algo importante para as novas gerações. Mesmo com o passar dos tempos, o videoclipe ainda é parte integrante da cultura pop mundial.




Ainda nessa década, muitos artistas produziram seus próprios clipes, sem o apoio de grandes gravadoras. Com criatividade e boas ideias, conquistaram seu espaço no concorrido mercado fonográfico. O nome mais importante dessa leva é o OK GO, um grupo norte-americano que produziu, dirigiu e criou sua própria coreografia no divertido “Here It Goes Again”, o famoso videoclipe das esteiras, que se tornou um verdadeiro fenômeno da internet, ultrapassando os 100 milhões de visualizações no YouTube.

O videoclipe, apesar de priorizar a imagem em detrimento da música de boa qualidade, tornou-se, com o passar dos anos, um prolongamento da música. A relação entre ela e a imagem está tão interligada que é quase impossível separar um do outro. Um exemplo clássico é o videoclipe de “Take On Me”, dos noruegueses do a-ha, que apresenta uma história em quadrinhos contada através de um videoclipe em preto e branco.

A verdade é que o videoclipe construiu em si mesmo uma relação tão intrínseca com a música ao ponto de extrapolar os limites dela própria, mudando a maneira de vender e até mesmo de gravá-la. Para o bem ou para o mal, essa mudança tornou o universo pop mais divertido.

João Paulo Porto

Criador do site 1001 Videoclips e apaixonado por The Smiths.