1001 Videoclips Entrevista: Vinicius Massolar do The Outs

Cenário Nacional, Entrevista | 19 fev 19 - por João Paulo Porto

“Mistério” é segundo clipe a sair do álbum do trio carioca The Outs, Enquanto o futuro não vem e falamos com o vocalista Vinicius Massolar sobre o clipe – obviamente – sobre como é viver de música no Brasil e sobre sua outra grande paixão, que é o desenho, entre outros temas. Saca só:

1001Videoclips: Quer dizer que os clipes de “Tempos Loucos” e “Mistério” se completam. Inspirados pelos filmes de Wes Anderson, os vídeos abordam dúvidas, incertezas e inseguranças, ao mesmo tempo em que imprimem a tentativa de se encontrar no agora, Você e o pessoal da banda participaram do processo criativo ou só seguiram ordens?

Massolar: Nós já conhecíamos os videos do pessoal da Toca Audiovisual, então deixamos eles livres pra criarem em cima das nossas músicas. Geralmente a gente é quem faz nossos próprios clipes, mas quando passamos a bola da produção pra outra galera gostamos de ver a interpretação deles sobre nosso trabalho.

Vocês já abriram shows de bandas em ascensão mundial, como Temples e Phantogram. Como foi a experiência?

Foi bem legal poder trocar e dividir o palco com essa galera. Conversamos bastante com os caras do Temples, aliás, passamos o dia todo com eles! Pra nós foi um aprendizado e tanto ver como essas bandas gringas funcionam de perto. E de quebra vimos shows bem fodas!

Vocês já participaram de reality show, gravaram disco e já tocaram em um festival de renome mundial. São elogiamos no exterior. Quais dicas vocês dão para quem está começando?

Não me sinto muito na posição de dar dicas assim, estou sempre aprendendo e desenvolvendo coisas novas. O básico seria ensaiar sempre, desenvolver bem o seu som, usar bem a internet e estar antenado em todas as novidades no meio musical.

Como é ser uma banda underground no Brasil? Dá pra sobreviver?

Sempre foi um negócio difícil. Agora então com todos esses golpes contra a cultura fica cada vez pior. Mas, é uma parada que a gente vai lutando e resistindo, né? Acho que não pode parar, tem que avançar com mais força ainda.

Muita coisa mudou na vida de vocês desde o início da banda?

Sim, a gente cresce e aprende muito nesses anos com a banda, conhecendo pessoas e culturas diferentes quando viajamos, perrengues e novas histórias que moldam a vida.

Uma pergunta ousada: se você fosse convidado para trocar o The Outs por uma banda mainstream, qual seria?

Acho que não precisa trocar. A gente encaixa tudo na agenda e toca com quem puder! hahaha Seria muito foda tocar com um Milton Nascimento!

Em seu perfil nas redes sociais, por acaso descobri que você tem uma queda por desenho. Como e quando desenhar passou a fazer parte de sua vida? Melhor perguntando, quem veio primeiro, a música ou o desenho?

O desenho veio primeiro. Não lembro de não desenhar na minha vida. Sempre esteve lá. Claro que fui desenvolvendo e aprimorando com o tempo.

Capa do álbum ‘Enquanto o futuro não vem’, do trio carioca The Outs — Foto: Arte de Brenda Martins

Em termos técnicos e de estilo, quais são suas inspirações?

Tento fazer uma mistura de desenhos psicodélicos dos anos 60, desenho japonês e uma estética mais puxada pros anos 80 (ou mesmo 90). Gosto muito de artistas como Bjenny Montero, Caramurú Baumgartner e Katsuhiro Otomo.

Eu percebo que você possui uma visão politica bem consistente e que você reflete nos desenhos. Temos visto um aumento das atitudes fascistas, e a arte sendo atacada como num flashback da ditadura. Você acha que a arte no Brasil está correndo perigo?

Sim, está. Esse tipo de governo fascista sempre ataca primeiro o campo da cultura e das artes. É o que faz as pessoas pensarem, logo eles cortam. É importante continuar resistindo pra fazer a diferença.

Se você pudesse escolher um título para trabalhar, qual seria? Dos quais você trabalhou, qual foi o mais gratificante?

Nunca trabalhei numa HQ antes. Quem sabe um dia. Seria bem legal trabalhar na produção de uma HQ ou mangá. Títulos “mais sérios” como Neon Genesis Evangelion me interessariam hahaha

Entre a música e desenho, o que mais te dá paixão?

Eu amo fazer os dois hahaha Gosto tanto de criar novos sons e músicas como de criar desenhos diferentes. Isso sou eu. É o que eu faço de melhor!

Foto de capa: Divulgação Deck / Coagula

João Paulo Porto

Criador do site 1001 Videoclips e apaixonado por The Smiths.